Golpe do cartão trocado: idoso tem conta zerada após aceitar ajuda em caixa eletrônico
Câmeras flagraram a vítima sendo enganada; especialista dá dicas para quais cuidados tomar ao sacar dinheiro em lugares públicos
Minas Gerais|Arnon Gonçalves e Cler Santos, do R7 e Juliana Pereira, da RECORD Minas
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O lanterneiro de automóveis, Ademar Simplício, de 70 anos, não esperava que acreditar em um estranho enquanto sacava dinheiro em um caixa eletrônico de uma farmácia terminaria com a conta dele zerada. A vítima teve o cartão trocado, foi enganada e ficou sem o dinheiro que pretendia usar para comprar remédios e fazer uma cirurgia.
Ao sacar dinheiro em locais públicos é necessário uma atenção redobrada e alguns cuidados com possíveis golpistas. Especialista explica que, em caso de dúvidas ou de precisar de ajuda, é mais indicado procurar um funcionário e evitar estranhos. E, ao perceber qualquer transação estranha, é importante comunicar o banco e registrar um boletim de ocorrências.
A troca de cartões
Ademar conta que já tem o hábito de frequentar o banco 24h da farmácia, que fica no Centro da capital mineira, quando precisa sacar algum dinheiro. No dia do ocorrido, ele estava sozinho. Entrou, fez uma transação normalmente e saiu. Segundo ele, foi nesse momento que um homem o abordou dizendo que ele havia esquecido um papel de transação na máquina.
O idoso conta que acreditou no estranho e retornou à farmácia. Lá dentro, o homem mostrou um papel para ele que supostamente dizia que o banco não tinha registrado a última transação e que, se ele não colocasse o cartão na máquina para registrar, teria que pagar uma taxa. “Aí ele me ‘engabelou’ falando que eu tinha que colocar o cartão de novo e a senha. Quando eu fui fazer isso, ele viu a senha e já trocou o cartão, me entregando outro”.
Câmeras de segurança flagraram o momento em que Ademar é abordado e também quando ele faz o uso do caixa eletrônico.
Veja as imagens:
O golpista teria aproveitado um curto momento de distração para retirar o cartão original e substituir por um falso. “Tentei usar esse outro cartão e não saiu nada, já não tinha mais nada. E nisso, o outro rapaz que estava com ele já passou e já trocou a senha. Eles pegaram meu dinheiro todo”, desabafa o lanterneiro. Nas imagens é possível ver um segundo homem. A suspeita é que também participou do golpe, e teria ajudado ditraindo os funcionários da farmácia.
O idoso conta que o golpista foi tão convincente que fez ele duvidar de si mesmo durante toda a conversa e seguir passo a passo o que ele estava dizendo. O prejuízo foi de quase R$ 9 mil reais. Um dinheiro que seria utilizado para a saúde: “Eu acho muito errado as pessoas fazerem esse tipo de coisa, aproveitar dos idosos. E aqueles que estão passando pelo mesmo processo? Não tem nem dois meses que eu consegui esse dinheiro pra fazer uma cirurgia que eu preciso fazer na mão e comprar meus remédios”.
A família agora tenta recuperar o valor perdido. Eles já registraram um boletim de ocorrência e também acionaram a instituição financeira responsável pela conta e o cartão. O banco disse que irá analisar a situação e dará um retorno. Ademar conta que tem todos os comprovantes das transações realizadas pelos golpistas e pretende usar isso como prova para ajudar na investigação.
Até o momento, nenhum dos homens que aparecem na imagem foram identificados ou localizados.
Saiba quais cuidados tomar
O caso chama a atenção para um tipo de golpe que pode acontecer justamente em um momento em que a vítima acredita estar recebendo ajuda. Por isso, a orientação é não entregar cartão, senha ou qualquer dado bancário a desconhecidos. Em caso de dificuldade para usar o caixa eletrônico, o ideal é procurar um funcionário identificado da instituição financeira. É o que orienta Dalva Santana, presidente da Comissão de Defesa do Direito da Pessoa Idosa da OAB-MG.
“É importante desconfiar de qualquer pessoa que peça o cartão, a senha ou dados pessoais. Também é importante conferir o cartão antes de sair do caixa, guardar os comprovantes das operações e acompanhar frequentemente o extrato bancário”, explica Dalva.
Em muitos casos, os golpistas criam uma situação de confiança, se passam por pessoas dispostas a ajudar e aproveitam um momento de distração para conseguir cartões, senhas ou informações pessoais. Para a presidente, é importante que os idosos redobrem a atenção, principalmente quando alguém desconhecido se aproxima para oferecer ajuda em operações bancárias.
Uma pesquisa da Serasa mostra que quatro em cada dez brasileiros com mais de 60 anos já sofreram algum tipo de golpe financeiro. Entre aqueles que já foram vítimas, 40% passaram por mais de uma fraude e 80% tiveram algum prejuízo financeiro. Em mais da metade desses casos, a perda foi superior a mil reais.
“Ao perceber qualquer movimentação que não reconheça, o cliente deve comunicar imediatamente o banco e registrar a ocorrência. No caso do seu Ademar, registrar o boletim de ocorrência é fundamental. Os idosos também podem procurar ajuda através da Ouvidoria fazer sua denuncia e buscar orientação”, explica a presidente.
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