Golpistas se passavam por policiais para vender falsos anúncios em jornal
Comerciantes pagavam para ter espaço no noticiário Alerta Policial
Minas Gerais|Márcia Costanti,do R7

Uma dupla de estelionatários foi apresentada nesta sexta-feira (18) pela Polícia Civil de Minas Gerais, suspeita de aplicar golpes contra vários comerciantes da capital mineira. Jeferson Ventura Lopes e Wibran Gonçalves de Aguilar se passavam por policiais para vender anúncios para um falso jornal, batizado de Alerta Policial.
O trabalho das investigações foi conduzido pelos delegados Samuel Neri, Henrique Canedo e Leandro Alves Santos. Segundo Santos, o inquérito foi aberto depois que a corporação recebeu uma denúncia do dono de uma padaria da cidade. Ele relatou que foi procurado por um homem que se identificou como delegado de polícia e funcionário de um jornal. O suspeito ofereceu espaço no noticiário pelo valor de R$ 500. Desconfiado da situação, o empresário decidiu procurar a polícia.
Para o delegado, o intuito dos criminosos era dar a entender de que, em troca da contratação da propaganda no jornal, o dono do comércio teria mais proximidade com a polícia.
— Nas entrelinhas, o que fica entendido com isso é que o golpe era nesse sentido: de que se o comerciante contratasse o serviço, teria a proteção da polícia.
Com as informações, a corporação decidiu montar um flagrante para os golpistas. O comerciante marcou uma data de entrega do cheque com o valor acordado e o entregou a um motoboy, que foi abordado pelos policiais. Santos ressalta que isso demonstra a especialização dos estelionatários.
— Eles tinham cuidado de nem comparecer ao local do golpe, mandar outra pessoa para pegar o dinheiro sem, supostamente, saber de nada.
O motociclista indicou à polícia o local onde funcionaria a sede do suposto jornal, que fica na rua Curitiba, centro de Belo Horizonte. Wibran foi detido no local. Os agentes encontraram várias agendas com nomes de supostas vítimas, com números de telefone e informações sobre os pagamentos. Foram achados ainda adesivos com distintivos da Polícia Civil. Embora o jornal possua CNPJ, nenhum exemplar foi localizado e o próprio suspeito alegou que não produzia o noticiário há quatro meses.
Pouco depois, a polícia conseguiu chegar até Jeferson, que foi preso anteriormente na região metropolitana pelo mesmo crime. Os dois foram encaminhados para o Ceresp Gameleira. Segundo a corporação, já existem dez boletins de ocorrência contra o Alerta Policial. A Polícia Civil recomenda que reconhecerem os criminosos procurem a delegacia e façam a denúncia.















