Homem é velado na rua após conflito entre funerárias em Minas
Os irmãos pensaram em realizar o velório em casa, mas a prática está proibida por causa da pandemia da Covid-19; empresa foi notificada
Minas Gerais|Virgínia Nalon , da Record TV Minas

Um aposentado de 54 anos foi velado na rua, em Manhuaçu, a 280 km de Belo Horizonte, por causa de uma briga entre funerárias. Nas imagens registradas, é possível ver o caixão na porta da capela municipal, e o corpo sendo velado debaixo de um forte sol.
O corpo era de Herondino Pereira Xavier, que morreu em casa, na manhã desta segunda feira (27). Ele era tetraplégico e teve falência múltipla dos órgãos.
De acordo com Tarcísio Xavier, irmão da vítima, o plano funerário foi acionado, mas a família teve a informação de que não poderia fazer o velório na capela municipal, que é pública.
— Ele falou que não daria e que ninguém tem direito de velar e arrumar a não ser eles. Falou que todo mundo que morre dentro de Manhuaçu só uma empresa tem direito de arrumar e velar o corpo.
Na cidade, a concessão para serviços funerários é de três empresas, mas nenhuma delas era ligada ao plano funerário pago pelo aposentado. Por isso, a família não conseguiu a autorização para velar o corpo na capela municipal, nem para fazer o enterro no cemitério.
Velório proibido
Os irmãos de Xavier pensaram em realizar o velório em casa, mas a prática está proibida por causa da pandemia de covid-19. A polícia foi chamada e, após realizar um boletim de ocorrência, a Secretaria Municipal de Administração, autorizou a realização do velório no interior da capela. O sepultamento ocorreu no início da tarde.
Segundo Carlos Carraro Junior, subprocurador do município a confusão aconteceu porque a empresa contratada pela família não tinha autorização para fazer o serviço em Manhuaçu.
— O município está notificando a empresa porque ela não pode prestar esse tipo de serviço. Esse serviço é exclusivo de três funerárias que estão situadas aqui no município, são elas que podem prestar esse serviço conforme contrato de concessão.
A gerente do plano pago pela família admitiu que, de fato, não poderia fazer o serviço funerário, mas disse que prestou toda a assistência necessária.
— Eu expliquei para eles a questão da concessão. Ele falou, eu não abro mão, eu não quero fazer com a outra empresa. Eu falei então, seu Tarcísio diante disto a gente vai ver o que pode ser feito. Nós vamos agora na funerária plantonista, vamos tentar pegar a chave da capela e vê a possibilidade deles emprestar a chave para a gente fazer o serviço. A gente vai levar o corpo para a funerária que não fica aqui, fica em Simonésia, vamos realizar a preparação do corpo e trazer para poder velar e dali para frentre eles dão sequência, e foi negado.
Resposta
Em nota, a Prefeitura de Manhuaçu informou que emitiu uma notificação extrajudicial à empresa responsável pelo plano funerário, para que se abstenha de prestar serviços na cidade. As três concessionárias autorizadas atendem à legislação municipal, que estabelece o direito de exploração de uma funerária para cada 30 mil habitantes.















