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‘Chamava todo mundo de tia’: mulher de BH conta como foi enganada pela ‘órfã brasileira’

Assistente social relata como só descobriu a verdadeira identidade de Amanda Oliveira, de 37 anos, após meses de convivência

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7 e Mayar Folco, da RECORD Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Amanda Maria Souza Oliveira, conhecida como "Órfã Brasileira", foi descoberta como parte de um esquema de fraudes em vários estados do Brasil.
  • Ela se apresentava como uma adolescente vulnerável e usava histórias de abandono e violência para manipular e enganar pessoas e instituições.
  • Delma Soares, assistente social em Belo Horizonte, foi uma das pessoas enganadas e ajudou a desmascarar Amanda após desconfiar de sua verdadeira idade.
  • Amanda enfrenta acusações de estelionato e falsa identidade, levantando debates sobre fraude, manipulação e possíveis transtornos mentais.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Investigações revelaram que Amanda aplicou o mesmo golpe em outros estados Reprodução/RECORD Minas

O caso de Amanda Maria Souza Oliveira, de 37 anos, conhecida nacionalmente como a “Órfã Brasileira”, expôs um esquema de fraudes que atravessou pelo menos cinco estados brasileiros e mobilizou instituições de acolhimento, famílias e organizações sociais. Por trás das histórias de abandono, doenças e violência que contava, vítimas relatam uma rede de manipulação construída ao longo de anos, baseada na exploração da empatia e da solidariedade de quem tentava ajudá-la.

A menina que dizia ter 12 anos

Uma das pessoas que mais conviveu com Amanda foi Delma Soares, assistente social e diretora de um projeto social em Belo Horizonte. O contato começou em 2017, quando Amanda se apresentava pelo nome de Carolina e afirmava ser uma adolescente em situação de vulnerabilidade.


Segundo Delma, a primeira impressão era a de uma criança. “Ela chegou lá no espaço, uma uma menina baixutinha, com a roupa da Minnie, uma mochila, um arco da Minnie, então, aparentemente, ela tinha um rosto realmente mais jovem. Ela falava que tinha 12 anos, mas eu achava que ela tinha uns 14”.

A história contada também despertava compaixão. Amanda dizia ter sido vendida pelos próprios pais para uma casa de prostituição no Nordeste e relatava uma infância marcada por abusos e abandono.


Delma lembra que o comportamento reforçava essa imagem de fragilidade. “Muitos traumas, chorava muito, só ficava dormindo, chamava todo mundo de tia, e tinha muito ciúmes de mim em relação às outras crianças”.

A convivência, porém, começou a levantar suspeitas. Quando foi confrontada sobre sua verdadeira idade, a reação foi imediata. “Aí ela desfez toda daquela imagem que ela tinha de de adolescente, de criança, e aí ela realmente mostrou quem ela era. Ela quebrou várias coisas da minha casa”.


A assistente social afirma que não teve dúvidas ao encará-la. “Carol, você não é de menor, você é de maior”.

A confirmação da fraude

Após ser confrontada e perceber que a rede de proteção estava desconfiada, Amanda fugiu de Belo Horizonte para outro estado. A confirmação definitiva de sua identidade só chegou cerca de um ano depois, quando um oficial de justiça enviou a Delma a certidão de nascimento e registros escolares reais de Amanda, provando que ela era, de fato, maior de idade.


Delma Soares reflete que, embora Amanda deva ser punida pelos crimes, o caso também expõe uma falha da sociedade e do sistema de segurança em lidar com transtornos mentais graves, já que Amanda chegou a ser internada e presa anteriormente, mas sempre acabava solta para repetir o ciclo em outras cidades

O impacto sobre as vítimas

O caso mais recente ocorreu em Joinville, Santa Catarina. Durante 14 meses, Amanda foi acolhida por uma família que acreditava estar ajudando uma menina vulnerável. A confiança era tanta que os anfitriões chegaram a organizar uma festa para comemorar seus supostos 12 anos. Após a prisão em flagrante, a sensação predominante foi de decepção.

Amanda responde atualmente por crimes como estelionato e falsa identidade. Enquanto as investigações avançam, o caso continua despertando debates sobre os limites entre fraude, manipulação e possíveis transtornos mentais, além dos impactos deixados nas pessoas que acreditaram estar oferecendo ajuda a alguém em situação de vulnerabilidade.

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