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Jovens negras denunciam terem sido barradas em boate de BH

Clientes alegam que foram discriminadas por promoters sob alegação de lotação da casa

Minas Gerais|Márcia Costanti,do R7

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Estabelecimento alega que tem cota de 30% para não-sócios
Estabelecimento alega que tem cota de 30% para não-sócios

Um grupo de jovens negras que alegam terem sido barradas na porta da boate Swingers Lounge, no bairro Santa Lúcia, região centro-sul de Belo Horizonte, vêm se organizando através do Facebook para compartilhar as experiências vividas no estabelecimento. Elas alegam que foram discriminadas e impedidas de entrar no local sob a alegação de que a casa noturna estava cheia. Na página da boate na rede social, as críticas publicadas pelas clientes se multiplicam.

Entre elas, está a estudante de direito Rafaele Ariel do Nascimento Santos, de 21 anos, que já foi barrada duas vezes. No último sábado (3), esteve na boate acompanhada da prima para comemorar o aniversário de uma amiga. Embora tenham pegado a fila indicada pelo promoter que estava na porta, elas não conseguiram entrar. Da lista de convidados, somente as duas, que são negras, ficaram de fora.


—Quando chegou a nossa vez, o promoter avisou que a lotação da casa para não sócios tinha sido atingida e nos pediu para aguardar fora da fila. Nós nunca chegamos a entrar na boate.

Indignadas, elas ligaram para a aniversariante, que relatou que o local não estava lotado. Os amigos que estavam na parte interna do estabelecimento tiraram fotos de vários espaços vazios. Rafaele conta que foi “uma humilhação” ver outras pessoas não associadas entrarem no local sem problemas.


—Até agora eles não explicaram porque pessoas na mesma situação que a gente foram tratadas diferente, eles alegam que a gente se auto-discrminou, mas este nunca foi o meu propósito.

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Cena semelhante foi vivida por Aline de Paula e a irmã dela no dia 22 de março. Barrada pelos funcionários, ela conta que viu duas amigas – ambas de pele branca - que estavam logo à sua frente conseguirem a passagem, mesmo não sendo associadas.

—Eles falam isso quando querem escolher quem vai entrar ou não.


A professora Tamires Leal viveu a mesma experiência no dia do próprio aniversário. Depois de enfrentar longas filas, ela foi obrigada a aguardar do lado de fora, sob a alegação da funcionária de que sua lista valeria somente a partir de 23h. Mesmo inconformada, ela aceitou. Momentos depois, no entanto, uma de suas convidadas ligou dizendo que havia conseguido entrar sem problemas. Indignada, ela tentou cobrar explicações dos promoters.

— Expliquei minha situação e eles foram arrogantes, falaram que minha amiga deveria ter pago a mais ou estava em outra lista além da minha. Por fim, viravam as costas e me ignoravam, me trataram mal diante de todos.

Tamires ainda insistiu e tentou novamente entrar no local, sem sucesso.

—Foi humilhante ver pessoas entrando sem motivos justos, apenas por terem amigos importantes, por terem dinheiro, serem bonitos, brancos, entre outras coisas. E eu lá, tentando fazer meu direito valer.

Segundo Rafaele, uma das criadoras do grupo no Facebook, algumas meninas já denunciaram o estabelecimento ao Ministério Público. A estudante de Direito alega que pretende registrar um boletim de ocorrência pela humilhação que viveu e acionar o Procon.

Em comunicado divulgado pela imprensa, a Swingers informou que trabalha com reservas de 70% da lotação da casa para sócios e 30% para não sócios. Em casos de listas, como aniversários, as regras são enviadas antes para o aniversariante, avisando da possibilidade de lotação. A reportagem do R7 tentou entrar em contato com o assessor da casa norturna para colher outros esclarecimentos. No entanto, ninguém foi encontrado no telefone fornecido pelo local.

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