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Mar de morros: vídeo de carro com roda no ar chama a atenção para ladeiras íngremes na Grande BH

Flagrante feito em Nova Lima viralizou nas redes sociais; urbanista explica como relevo e ocupação das cidades ajudam a entender ruas com inclinações acentuadas

Minas Gerais|Cler Santos, do R7 e Nash Castro, da RECORD Minas

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Um vídeo de um carro com uma roda suspensa em uma ladeira de Nova Lima viralizou, destacando o desafio das ruas íngremes na Grande BH.
  • A corretora Márcia Antonia Gomes, que registrou o vídeo, explica que situações semelhantes são comuns na região devido ao relevo acentuado.
  • O urbanista André Prado aponta que o relevo e a ocupação urbana em terrenos inclinados são fatores que contribuem para essas dificuldades.
  • Medidas como pavimentação adequada e controle de veículos pesados são sugeridas para melhorar a segurança nessas vias.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O flagrante foi registrado em Nova Lima e mostra o veículo enfrentando a forte inclinação enquanto o motorista tenta fazer a descida
O flagrante foi registrado em Nova Lima e mostra o veículo enfrentando a forte inclinação enquanto o motorista tenta fazer a descida Reprodução/RECORD Minas

Um vídeo de um carro descendo uma ladeira com uma das rodas traseiras suspensa chamou a atenção nas redes sociais e voltou a colocar em evidência um velho desafio para os motoristas da Região Metropolitana de Belo Horizonte: as ruas íngremes. O flagrante foi registrado em Nova Lima e mostra o veículo enfrentando a forte inclinação enquanto o motorista tenta fazer a descida.

As imagens foram feitas pela corretora de imóveis Márcia Antonia Gomes, que circula frequentemente pelas ruas da região por causa do trabalho. Acostumada ao relevo da cidade, ela conta que situações semelhantes não são incomuns e que motoristas que não conhecem o local costumam ficar receosos.


“Quando eu vi que ele estava pensando muito e freando demais, eu falei: ‘esse aí está com medo de tombar’. Eu até falei no vídeo, mas é supernormal isso aqui”, contou.

Segundo Márcia, a posição escolhida pelo motorista na pista também pode fazer diferença na hora de encarar alguns trechos. “O segredo é você chegar e não ir para o meio. Você já vai aqui nessa parte e já desce. Se você for no meio, a roda sobe”, explicou.


O desafio aumenta nos dias de chuva. A corretora afirma que evita algumas das ladeiras quando o asfalto está molhado, principalmente por causa da perda de aderência dos pneus. Segundo ela, veículos podem não conseguir completar a subida e acabam voltando de ré, enquanto, nas descidas, a dificuldade para frear aumenta o risco de colisões.

O relevo ajuda a explicar por que cenas como essa fazem parte da rotina de quem circula pela Grande BH. Dados do MapBiomas apontam Minas Gerais como líder nacional em área urbanizada em terrenos de alta declividade, considerados aqueles com inclinação superior a 30%.


Em Belo Horizonte, a declividade média do terreno é de 8,28%. O percentual pode parecer baixo, mas indica uma cidade de relevo bastante acidentado, principalmente quando comparado ao de outras capitais brasileiras, como Brasília e Recife, onde a inclinação média fica em torno de 2%. Dentro da própria capital mineira, as diferenças são significativas: a Pampulha apresenta a menor declividade média entre as regionais, com 5,65%, enquanto Leste e Centro-Sul registram as maiores, com 9,76% e 9,60%, respectivamente.

Os trechos mais suaves estão concentrados principalmente na Área Central e na Pampulha, enquanto áreas como o Aglomerado da Serra, Taquaril, Morro das Pedras e Aglomerado Santa Lúcia reúnem algumas das maiores inclinações. No Taquaril, a Rua Expedicionários, considerada a mais íngreme de Belo Horizonte, chega a 57% de inclinação. Já a Rua Copérnico Pinto Coelho, no bairro Santo Antônio, alcança 55% em seu trecho de maior declividade.


Para o urbanista André Prado, a presença de tantas ladeiras está diretamente relacionada às características geográficas e ao processo de ocupação das cidades. Belo Horizonte e municípios vizinhos se desenvolveram em terrenos marcados por grandes variações de altitude, e parte da expansão urbana acompanhou esse relevo.

“Existem limites técnicos e limites legais para inclinação das ruas urbanas. A gente pode ter um relevo com uma inclinação muito acentuada que comprometa a segurança do trânsito de veículos”, explicou.

O especialista ressalta, porém, que parte das áreas urbanizadas brasileiras surgiu antes da existência das atuais regras e normas técnicas. Por isso, há vias antigas que apresentam características que hoje exigiriam outros cuidados no planejamento urbano.

Para reduzir os riscos, André Prado destaca a importância de pavimentos que proporcionem maior aderência dos pneus, principalmente nos trechos mais inclinados. Uma alternativa é o uso de pavimentação em pedra, tecnicamente chamada de pavimento poliédrico, em vez do asfalto em determinadas situações.

Outra medida importante é controlar a circulação de veículos pesados. “É importante que as autoridades municipais limitem o trânsito de veículos pesados, com sinalização indicando para o motorista do caminhão ou do ônibus”, afirmou o urbanista.

Para quem enfrenta diariamente as ladeiras da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a recomendação é redobrar a atenção, principalmente em trechos desconhecidos e durante períodos de chuva. Inclinação, tipo de pavimento, condições dos pneus e características da própria via podem transformar uma simples subida ou descida em um desafio para o motorista.

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