Minas Gerais Menina sequestrada para África relatou medo de viajar com o pai

Menina sequestrada para África relatou medo de viajar com o pai

Ministério Público e laudo psicológico eram contrários à viagem para o exterior; mesmo assim, juiz permitiu o passeio

Cônsul não voltou com a filha para o Brasil

Cônsul não voltou com a filha para o Brasil

Reprodução / Facebook

Documentos obtidos pelo jornalismo da Record TV, com exclusividade, revelam o risco da menina Atinuke Pires, de 9 anos, viajar sozinha para África com o pai, o empresário e cônsul honorário da Nigéria em Minas Gerais, Michael Olusegun Akinruli. A criança é considerada sequestrada após o pai não ter retornado com ela ao Brasil.

Responsável pela autorização da viagem, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Belo Horizonte, Marcos Flávio Lucas Padula, desconsiderou parecer do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), laudo psicológico e a vontade da própria menina.

A viagem foi autorizada por uma liminar, concedida em 20 de dezembro do ano passado, apesar de um processo análogo tramitar na mesma vara desde 2016. O alvará autorizando o deslocamento para o país sem acordo de extradição com o Brasil venceu em três de fevereiro. Desde então, mãe e filha estão sem contato.

Nesta quarta-feira dia (13), o juiz Marcos Padula admitiu que a menor foi sequestrada pelo próprio pai e solicitou cooperação internacional para tentar trazê-la de volta.

Laudo fala insegurança da criança

Laudo fala insegurança da criança

Reprodução / Record TV Minas

Em um laudo de 12 de novembro de 2018, assinado pela psicóloga judicial, Tânia Mara Liberato, a menina Atinuke Pires relatou que fica insegura em viajar com o pai para locais distantes. Nesse caso, o pedido do pai era para viajar para Disney, em Orlando, nos Estados Unidos. Atinuke diz que a insegurança se deve porque o pai tem o hábito de omitir onde estão, além não deixar que ela converse com a mãe pelo telefone.

No documento, a psicóloga ressaltou que a insegurança com o pai é motivo de apreensão e angústia. No entendimento da especialista, a viagem ao exterior é irrelevante para a menina.

Depoimento

Juiz relatou medo da menina

Juiz relatou medo da menina

Reprodução / Record TV Minas

Atinuke foi ouvida pelo juiz Marcos Padula. Na conversa, a menina afirma categoricamente que tem medo de não voltar para o Brasil, caso fosse para o exterior com o pai. Em outro trecho da conversa com o magistrado, ela conta que, certa vez, foi levada pelo pai para o Rio de Janeiro, sem conhecimento da mãe, e que o carro deles acabou capotando e que ela foi parar no hospital. Segundo a menina, o pai nem mesmo comentou o acidente com a mãe.

Além disso, dois pareceres do MPMG reforçam a tese que a criança não poderia ter viajado com pai. Em um deles, o órgão opinou contra a ida até a Nigéria, pois o pai não havia demonstrado como funciona a legislação do país africano, caso seja necessária a repatriação da filha.

No outro parecer, o MP sustenta que a mãe da menina tinha que ter sido avisada da liminar autorizando a viagem, o que não aconteceu.

Viagem

A mãe da menor, a psicóloga belo-horizontina Laurimar de Jesus Pires só ficou sabendo que filha foi para Nigéria por meio de um e-mail. Um dia depois de chegar na África, o pai mandou a mensagem com o alvará em anexo.

O juiz Marcos Padula não quer gravar entrevista e também se recusou a responder os questionamentos da reportagem.

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