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Militares são investigados por agressão contra cliente de boate no sul de Minas

Policiais argumentaram que teriam sido ameaçados e desacatados pela vítima

Minas Gerais|Márcia Costanti, do R7

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A Polícia Civil de Passos, no sul do Estado, instaurou um inquérito para apurar uma suposta agressão de três policiais militares contra um jovem de 28 anos em uma boate no centro da cidade. O caso foi registrado na última sexta-feira (8) e, segundo testemunhas, os policiais teriam dado socos e pontapés em Alessandro Silva Alves sem motivos aparentes.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Marcos Pimenta, as investigações visam "pormenorizar" os fatos ocorridos durante aquela madrugada. De acordo com relatos iniciais, o rapaz apanhou ainda no interior da casa noturna. Vendo a confusão, um segurança do estabelecimento retirou a vítima, que já estaria muito machucada, e chegou a levar Alves para os fundos da casa, pedindo ao público uma cadeira para que ele se sentasse. Mesmo assim, os três militares teriam insistido e impediram que o funcionário socorresse o jovem, que ainda recebeu uma nova "rodada" de agressçoes.


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A guarnição recebeu reforço e deixou a boate por volta de 3h30, conforme informações do delegado. Alves foi levado para a unidade de pronto-atendimento local. Lá, o médico teria pedido para que o rapaz aguardasse até 7h, quando seria atendido, mas a vítima sumiu antes disso. O delegado acredita que durante o intervalo em que ele ficou "desaparecido" da unidade de saúde, os policiais o tenham levado embora para que não fosse medicado. Somente por volta de 9h, a PM deixou Alves na delegacia de Polícia Civil de plantão.

—O que me deixou chocado é o fato de a PM falar que é um crime militar. Ou eles desconhecem a lei ou quiseram usurpar a função da Polícia Civil. Eles alegam que foram desacatados e ameaçados pelo rapaz, mas não vieram aqui relatar nada.


O delegado explica que o procedimento correto da corporação seria acompanhar a vítima e os militares envolvidos até a Polícia Civil, onde todas as partes prestariam esclarecimentos. No entanto, a PM manteve os policiais detidos no quartel.

— Não se trata de cisma institucional, mas o que eu acho é que houve corporativismo. Eles quiseram abafar o caso como sempre, porque está envolvendo militar.


Depois de provisoriamente detidos, os PMs já estariam em liberdade aguardando o desenrolar do processo. Agora, de acordo com Pimenta, eles podem ser indiciados por lesão corporal grave contra a vítima. Além de ouvir novas testemunhas, o delegado deve encaminhar as imagens flagradas pelas câmeras de segurança para perícia. Uma nova avaliação deverá ser feita dos ferimentos da vítima.

Procurada pela reportagem do R7, a Polícia Militar informou que os esclarecimentos deveriam ser colhidos com o setor de comunicação da corporação. No entanto, ninguém foi encontrado para comentar o caso.

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