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Cobras e escorpiões: Minas lidera ranking nacional de mortes causadas por animais peçonhentos; saiba se proteger

Estado soma quase 60 mil casos em 2025 e crianças da Grande BH concentram ocorrências graves com escorpiões

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Minas Gerais é o estado com o maior número de acidentes com animais peçonhentos, totalizando 592.103 ocorrências entre 2010 e 2024.
  • As crianças de 1 a 9 anos são as principais vítimas em Belo Horizonte, especialmente em casos envolvendo escorpiões.
  • Os escorpiões são responsáveis por 55,8% dos acidentes no Brasil, com a espécie mais comum sendo o escorpião-amarelo.
  • O acesso rápido ao soro antiveneno é crucial; o Ministério da Saúde está lançando um miniaplicativo para facilitar essa localização.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Escorpiões são os grandes vilões das estatísticas, sendo responsáveis por 55,8% de todos os acidentes no território nacional Arquivo/Agência Brasil

Minas Gerais lidera o ranking nacional de acidentes com animais peçonhentos, registrando o maior número absoluto de casos no Brasil entre 2010 e 2024, com um total de 592.103 ocorrências.

Apenas no ano de 2025, o estado contabilizou quase 60 mil registros envolvendo escorpiões, serpentes, aranhas e outros animais. Um dado alarmante aponta que, na região metropolitana de Belo Horizonte, crianças entre um e nove anos de idade são as principais vítimas de casos graves em acidentes com escorpiões.


Esse cenário mineiro reflete uma crise de saúde pública em todo o país. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil teve uma alta de 146,8% na taxa de incidência desses acidentes em 15 anos, totalizando mais de 3,3 milhões de casos.

O domínio dos escorpiões e o perigo das serpentes

Os escorpiões são os grandes vilões das estatísticas, sendo responsáveis por 55,8% de todos os acidentes no território nacional. Em Minas Gerais e no Sudeste, o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) é a espécie mais abundante e a principal causadora dessas ocorrências, devido à sua facilidade de adaptação ao meio urbano e grande capacidade reprodutiva.


“Em Minas Gerais e no Sudeste de maneira geral, o escorpião-amarelo é o mais abundante e mais comum que encontramos no estado. Por isso, ele é o principal responsável pelo número de acidentes envolvendo escorpiões em Minas Gerais”, explica o biólogo do Serviço de Animais Peçonhentos da Fundação Ezequiel Dias (Funed), Rafael Batista.

Contudo, se os escorpiões lideram em quantidade, as serpentes são as mais letais. Das 4.223 mortes registradas no Brasil por animais peçonhentos no período, 42,8% foram causadas por cobras. Minas Gerais também ocupa uma posição triste nesse quesito, detendo o maior número absoluto de óbitos do país (559 mortes) na série histórica analisada.


Desigualdade social e vulnerabilidade

A análise dos dados, realizada pelo Ministério da Saúde, revela que o risco é acentuado por fatores socioeconômicos:

  • Pobreza e Saneamento: Municípios com Índice Brasileiro de Privação (IBP) considerado “muito alto” apresentam as maiores taxas de incidência e mortalidade, evidenciando que a falta de infraestrutura urbana favorece a proliferação desses animais.
  • Povos Indígenas: Este grupo enfrenta a maior vulnerabilidade, com uma taxa de mortalidade de 1,43 por 100 mil habitantes, um número drasticamente superior aos 0,10 registrados na população branca.
  • Idosos e Homens: Pessoas com 60 anos ou mais possuem a maior taxa de mortalidade padronizada. Já os homens representam 76,2% das vítimas fatais, o que está frequentemente ligado ao trabalho rural.

O que fazer em caso de acidente?

A rapidez no atendimento é crucial para evitar mortes e sequelas. As principais orientações são:


  • Lavar o local da picada apenas com água e sabão.
  • Buscar atendimento médico imediato em um hospital de referência (em Belo Horizonte, o Hospital João 23 é a unidade de destaque).
  • Não fazer torniquetes, cortes ou aplicar substâncias caseiras sobre a ferida.
  • Se possível, tirar uma foto do animal para ajudar a equipe médica a identificar o veneno e administrar o soro correto.

A rapidez no acesso ao soro antiveneno é o fator determinante para evitar mortes. Atualmente, o Brasil possui 2.223 pontos estratégicos de antivenenos (PEA) distribuídos em 1.997 municípios. Para facilitar esse acesso, o Ministério da Saúde anunciou que está em vias de lançar um miniaplicativo dentro do app “Meu SUS Digital”, que mostrará a localização desses pontos e oferecerá informações sobre primeiros-socorros.

Além das ferramentas governamentais, iniciativas como a plataforma SoroJá buscam auxiliar a população e profissionais de saúde no mapeamento e localização rápida das unidades que possuem o soro específico para cada animal.

Para prevenir a presença de animais em casa, recomenda-se manter jardins limpos, evitar o acúmulo de lixo e entulhos, além de vedar ralos, frestas e buracos em paredes e portas.

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