MP apura se vereadores receberam propina para favorecer Magalhães
Órgão recebeu denúncia anônima informando que dois parlamentares ganharam R$ 100 mil e R$ 200 mil para votar contra cassação do político
Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7

O Ministério Público de Minas Gerais abriu um inquérito, nesta quinta-feira (21), para investigar se dois vereadores de Belo Horizonte receberam propina para votar contra a cassação do colega parlamentar Wellington Magalhães, que será analisada nesta sexta-feira (22).
Segundo uma denúncia anônima recebida pelo órgão, o vereador Pedro Bueno (Podemos), teria recebido R$ 100 mil e Eduardo da Ambulância (Podemos), R$ 200 mil, para apresentarem voto favorável ao colega.
De acordo com a promotora Elisabeth Cristina dos Reis Vilela, a denúncia também indica que parte dos salários de funcionários dos gabinetes dos vereadores estaria sendo recolhida, prática conhecida como "rachadinha".
Em nota, o vereador Pedro Bueno disse que recebeu a notícia do inquérito com "perplexidade, revolta e indignação". O parlamentar diz que está sendo vítima de perseguição e destacou que vai votar a favor da cassação de Magalhães. O legislador afirmou, ainda, que está à disposição para os esclarecimentos dos fatos.
A reportagem também procurou as equipes dos vereadores Wellington Magalhães e Eduardo da Ambulância, mas aguarda retorno.
Cassação
A Câmara Municipal de Belo Horizonte se reune nesta sexta-feira (22) para decidir se Wellington Magalhães deve ou não ter o mandato de vereador cassado. O político foi acusado de quebra de decoro, que é a infração ocorrida quando os atos de um parlamentar afetam a imagem do Legislativo.
A denúncia contra ele foi feita com base em investigações do Ministério Público e da Polícia Civil que indicam uma suposta participação do vereador em um esquema de desvio de verbas e recebimento de propinas.
Uma comissão processante foi montada para analisar o pedido de expulsão do político. Segundo relatório apresentado pelo grupo nesta terça-feira (19), Magalhães deveria perder o cargo por seis irregularidades. Entre elas, ameaçar colegas vereadores e um advogado de Belo Horizonte.
O jornalismo do R7 e da Record TV Minas fizeram um levantamento junto aos gabinetes de todos os legisladores da capital mineira sobre como pretendem votar na reunião desta sexta-feira. Dos 40 parlamentares com direito a voto, 14 afirmaram que são a favor da cassação, cinco não quiseram adiantar o voto, cinco não haviam se decidido, outros 14 não responderam à demanda e um afirmou que vai se abster por motivos de viagem.
Eduardo da Ambulância e Pedro Bueno estão entre os que não responderam à reportagem.
Veja a íntegra da nota do vereador Pedro Bueno:
"No exercício da primeira legislatura do mandato parlamentar, o Vereador Pedro Bueno (PODE) declara ter recebido com perplexidade, revolta e indignação, a notícia veiculada pela imprensa nesta quinta, 21.11, de que seu nome estaria sendo alvo de denúncia anônima no Ministério Público de Minas Gerais.
Como líder da maior bancada da casa, Bueno declara que está sofrendo pressão de todas as formas, desde o primeiro processo de Cassação em que encaminhou o voto SIM, orientando também sua bancada pela cassação do Mandato do Vereador Wellington Magalhães. As denúncias anônimas e infundadas são contraditórias ao fato do vereador já ter se pronunciado - publicamente - que - mais uma vez - votará pela CASSAÇÃO e que, sem saber quem está por trás, vêm sofrendo ameaças de morte e perseguições pessoais e à sua família. Fatos que serão expostos, oportunamente, à imprensa.
O Vereador Pedro Bueno destaca que suas pautas sempre estiveram associadas ao combate à corrupção a exemplo de denúncias envolvendo a Máfia do Transporte Público, dentre outras.
Para o Vereador - que ao longo de três anos de mandato - sempre pautou suas ações e conduta no estrito cumprimento da atividade legislativa de fiscalizar o executivo e trabalhar com a proposição de projetos que atendam aos interesses da sociedade - sempre de forma transparente, independente e propositiva - há a certeza de incomodar os interesses de um sistema corrupto que confronta interesses de toda a população de Belo Horizonte.
Para Bueno, que denuncia crimes relacionados à Mineradoras, à Máfia dos Combustíveis, à Caixa Preta do Metrô e o “toma-lá-dá-cá” envolvendo interesses da Prefeitura de BH bem como sua origem - alicerçada por princípios éticos característicos de sua formação profissional como Guarda Civil de BH - demonstram uma total e incompatível possibilidade de sujeitar seu nome a qualquer vantagem ilícita que arranhe uma história e a construção de um legado.
O vereador Pedro Bueno espera que os fatos relacionados nesta denúncia anônima sejam rigorosamente apurados e se coloca à disposição da imprensa para esclarecimentos de qualquer assunto relacionado a esta infundada e descabida notícia, ora divulgada."















