"Não vou beber desta água nem dar para meus filhos", diz moradora de Valadares
Depois de 10 dias sem água, vizinhos relatam cor e cheio forte no líquido que sai das torneiras
Minas Gerais|Do R7, em Belo Horizonte *

Depois de uma semana sem captar água do rio Doce para 280 mil moradores, Governador Valadares voltou a distribuir o recurso nesta semana. O serviço ainda é lento: atende a poucos bairros e não dura o dia inteiro. Quem já viu as torneiras funcionando novamente teme a qualidade da água.
O SAAE (Serviço Autônomo de Água Esgoto) interrompeu o tratamento depois querejeitos de minério de uma barragem da Samarco que se rompeu em Mariana, a 300 km de distância, contaminaram o rio e fizeram a prefeitura decretar situação de calamidade pública. Segundo a prefeita Elisa Costa (PT), é normal que os primeiros litros saiam com coloração modificada porque a tubulação ficou sem uso durante vários dias.
Eliane Silva, de 33 anos, mora no bairro Maria Eugênia e relata que está sem água há dez dias. A escola da filha de 11 anos enviou um bilhete solicitando que os alunos levassem garrafinhas de água para beber.
— A água da escola não pode ser consumida. E estou sem água até para cozinhar. Para tomar banho nós buscamos água em um posto de gasolina.
A secretária Miriam Freitas, de 34 anos, mora em uma rua elevada do bairro Santa Rita com o seu marido e os filhos, de 2 e 7 anos. Eles estão sem abastecimento há oito dias e contam com doações de água mineral para não passar sede.
— Não vou beber dessa água e nem dar para os meus filhos. Pelo que eu vi na casa da minha mãe, onde já voltou o abastecimento, está bem escura e cheira à água sanitária.
Alguns vendedores se aproveitam da situação e aumentam os preços da água. Miriam conta que em alguns lugares o preço do galão dobrou.
— O galão de 20 litros era oito, dez reais. Dependendo do lugar, agora está R$ 25.
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Já na casa da secretária Yasmin Cardoso, de 19 anos, a água chegou durante a madrugada e acabou na tarde de terça-feira (17). Durou pouco tempo e veio sem condições de consumo.
— Não acredito que possa beber. Ela estava meio amarelada, mas depois melhorou um pouco. Estamos bebendo a água que as pessoas doaram.
Na última sexta-feira (13), o primeiro carregamento de água que a Vale levou para a cidade precisou ser descartado. Os 260 mil litros do recurso foram transportados em vagões-tanque cedidos pela companhia e apresentavam alto índice de querosene. Segundo comunicado da Vale, um laboratório atestou que o produto transportado pela companhia não estava contaminado. A corporação levanta a suspeita de que os veículos usados pela prefeitura para receber a água estariam sujos com o líquido.
Valadares consegue tratar a água do rio Doce atingida pela lama com uma técnica que usa um elemento natural chamado polímero de acácia negra, que possibilita, segundo o governo de Minas, "branquear a água, abaixar sua turbidez e deixá-la própria para o consumo humano".
* Colaboração de Carolina Laís de Assis















