Outubro Rosa: mamografia de rastreamento amplia chances de diagnóstico do câncer de mama
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de mama é o tipo mais frequente entre as mulheres mineiras
Minas Gerais|Cler Santos e Júlia Duarte, do R7*

Minas Gerais deve registrar 8.430 novos casos de câncer de mama em 2026, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número representa uma média de cerca de 23 novos diagnósticos por dia e é o maior entre os tipos de câncer que atingem as mulheres no estado. A taxa projetada é de 77,05 casos para cada 100 mil mulheres.
Em meio a esse cenário, o Outubro Rosa traz ao debate uma questão - quando deve começar a mamografia de rastreamento? A resposta passa pela idade, mas também pelo risco individual e pelas evidências mais recentes sobre os benefícios e limites do exame.
O diagnóstico precoce
A discussão não é apenas sobre quando fazer a mamografia, mas sobre como encontrar o equilíbrio entre os benefícios da detecção precoce e os limites do rastreamento. É nesse cenário que a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) recomenda a realização anual do exame para mulheres de risco habitual, dos 40 aos 74 anos. A orientação considera o conjunto de evidências científicas disponíveis e o papel do diagnóstico precoce na ampliação das possibilidades de tratamento e na redução da mortalidade.
Médica mastologista e tesoureira na SBM - Regional Minas Gerais, Nayara Carvalho, evidencia o caráter único da mamografia no processo de diagnóstico precoce. “É um dos principais métodos para detectar o câncer de mama. Apenas por ele é possível identificar sinais da doença ainda no início, antes mesmo que os sintomas apareçam”, afirma a especialista.
No entanto, apesar do exame ser a principal forma de prevenção da doença, o cenário está longe de ser o ideal. Dados do Panorama do Câncer de Mama, levantamento do Instituto Natura em parceria com o Observatório de Oncologia do Movimento Todos Juntos Contra o Câncer, revelam que cobertura da mamografia atingiu somente 24% da população Brasileira, em Minas Gerais os dados são de 21%. O índice está muito abaixo dos 70% recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Idade como fator de risco
Para o médico mastologista, presidente SBM - Regional Minas Gerais, Henrique Lima Couto, a discussão precisa ser qualificada e não reduzida à idade isoladamente. “O debate sobre quando começar o rastreamento precisa considerar o risco individual da mulher, a evolução das evidências científicas e o objetivo principal do rastreamento, que é diagnosticar o câncer em uma fase em que as possibilidades de tratamento são maiores. Não existe uma decisão que possa ser dissociada do contexto clínico e da realidade de cada paciente”, enfatiza Henrique Couto.
Além da faixa etária, fatores como histórico familiar, alterações genéticas, antecedentes pessoais e características individuais podem modificar a estratégia de acompanhamento. Mulheres com sintomas ou alterações suspeitas, também não devem ser confundidas com a população assintomática submetida ao rastreamento. Nesses casos, a investigação diagnóstica segue outra lógica e pode ser indicada independentemente da idade.
“Mais importante do que simplesmente ampliar o número de mamografias, é garantir que a mulher tenha acesso ao exame adequado, no momento adequado, com qualidade na aquisição e na interpretação da imagem e, principalmente, que uma eventual alteração seja investigada sem demora”, acrescenta Henrique Couto.
*Estagiária sob supervisão de Isabela Guastti
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