PF deflagra operação contra venda de diplomas falsos para cursos de Medicina em MG
A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de Montes Claros e Bocaiuva
Minas Gerais|Júlia Duarte, do R7* e Ricardo Vasconcelos, da RECORD Minas

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (12), a Operação Canudo, que investiga um esquema de venda de diplomas falsos e falsificação de documentos acadêmicos para facilitar o acesso a cursos de Medicina. A ação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nas cidades mineiras de Montes Claros e Bocaiuva. Também foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva e um de prisão temporária.
O esquema já conta com a participação no registro de, pelo menos, 45 pessoas que atuam como médicas ou médicos e estariam inscritas em Conselhos Regionais de Medicina. Elas teriam pago ao grupo para obter documentos falsos. Principal suspeito já foi investigado por integrar uma organização criminosa envolvida em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
As investigações começaram em 2023, após a apreensão de um diploma falso de Medicina apresentado ao Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul. Segundo a PF, o documento teria sido fornecido por um dos suspeitos.
De acordo com a corporação, os investigados faziam parte de um esquema estruturado para falsificar e comercializar diplomas, históricos escolares e outros documentos acadêmicos. O material seria usado para viabilizar o ingresso ou a transferência de estudantes para cursos de Medicina e, posteriormente, a obtenção de registro profissional nos Conselhos Regionais de Medicina (CRM).
Os documentos também poderiam permitir que estudantes ingressassem diretamente em cursos de Medicina já em andamento, inclusive nos períodos finais da graduação. Nesses casos, a fraude consistiria em apresentar o aluno como se estivesse sendo transferido de uma instituição de ensino para outra.
Ainda segundo a PF, o esquema teria ramificações em diferentes estados brasileiros. Pelo menos 45 pessoas já registradas como médicas ou médicos em Conselhos Regionais de Medicina teriam pago ao grupo para obter documentos falsos que possibilitassem o registro profissional.
As investigações continuam para identificar outras pessoas que possam ter contratado ou utilizado os serviços oferecidos pelo grupo criminoso.
Investigado já havia sido alvo da PF
O principal suspeito da operação já havia sido investigado pela Polícia Federal em 2016, quando foi identificada uma organização criminosa envolvida em fraudes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Na ocasião, as investigações apontaram que professores e estudantes eram recrutados para realizar as provas e transmitir, por meio de dispositivos eletrônicos, os gabaritos a candidatos que pagavam valores elevados para obter vantagem no exame. A apuração alcançou três estados e resultou na prisão de integrantes da organização.
*Estagiária sob supervisão de Arnon Gonçalves
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