Polícia conclui que menina de 8 anos desaparecida em Sabará foi assassinada; pai é apontado como mandante
Corpo de Evellyn Jasmin nunca foi encontrado; quatro pessoas foram indiciadas após investigação
Minas Gerais|Michelyne Kubitschek, da RECORD Minas e Cler Santos, do R7
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A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu que Evellyn Jasmin Machado Acácio, de 8 anos, sequestrada em junho de 2023, em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi assassinada. O inquérito foi encerrado depois de mais de três anos de investigação e os resultados foram apresentados em coletiva nesta quinta-feira (27/8). Embora o corpo da criança nunca tenha sido localizado, a corporação afirma que o conjunto de provas permitiu esclarecer toda a dinâmica do crime.
Quatro pessoas foram indiciadas. Três estão presas preventivamente e uma foi assassinada a tiros em setembro de 2024. Entre os investigados está Sidirlei Silva Machado, de 42 anos, pai de Evellyn, apontado pela polícia como mandante do crime. Segundo a investigação, ele teria coordenado a ação de dentro do Presídio de Francisco Sá, no Norte de Minas, onde permanece detido.
Além dele, foram indiciados Alex Lucas, de 37 anos, Sheyla Cerqueira, de 44, e Marcos Evangelista, conhecido como ‘Torosca’, de 40. Marcos foi morto cerca de um ano após o desaparecimento da menina. A Polícia Civil apura o homicídio em outro inquérito e não descarta uma eventual relação entre a morte dele e o caso Evellyn.
Mãe da menina era o alvo
Segundo a Polícia Civil, o alvo inicial dos criminosos era Katlyn Lorrayne Oliveira, mãe de Evellyn, que tinha 29 anos. Ela vinha fazendo denúncias contra o ex-companheiro e pessoas ligadas a ele e chegou a acusá-lo, nas redes sociais, de envolvimento no assassinato de um namorado dela.
Antes do sequestro, Katlyn já havia sido alvo de outra ação violenta. Conforme a investigação, comparsas de Sidirlei teriam sido enviados para quebrar as pernas dela na tentativa de interromper as denúncias. Mesmo após a agressão, a mulher não recuou. Ela chegou a contar a uma amiga que temia ser morta e começou a planejar uma mudança de cidade.
A Polícia Civil afirma que a ação de junho de 2023 foi planejada. Os investigadores identificaram um esquema de monitoramento da rotina de Katlyn, incluindo a instalação de um rastreador no veículo dela, que permitia ao grupo acompanhar a localização da vítima em tempo real. A intenção inicial seria sequestrá-la, agredi-la e cegá-la.
Sequestro começou em salão
O crime começou em um salão de beleza pertencente a Ana Raquel Brito Santana, de 32 anos, onde Katlyn estava acompanhada da filha.
Segundo a investigação, Ana Raquel tentou impedir que Katlyn fosse levada e foi atingida na cabeça com um martelo. Para os investigadores, foi nesse momento que a situação saiu do controle. Katlyn, Ana Raquel e Evellyn foram colocadas no carro da mãe da menina.
Durante o deslocamento, Katlyn conseguiu abrir a porta e pular do veículo. Os criminosos retornaram, perseguiram a mulher e atiraram contra ela. Ela morreu no local.
Ana Raquel, que já estava gravemente ferida, permaneceu com o grupo e foi baleada posteriormente. O corpo da cabeleireira foi deixado dentro do veículo, abandonado às margens da BR-040.
Evellyn continuou sob o domínio dos sequestradores.
Menina foi levada para sítio
A investigação identificou um Peugeot 208 alugado por Sheyla Cerqueira para dar suporte à ação criminosa. Segundo a polícia, foram pagos R$ 800 pelo aluguel de um sítio usado pelo grupo.
As placas do Peugeot teriam sido adulteradas e, na véspera do crime, o veículo recebeu película escura nos vidros para dificultar a identificação dos ocupantes. Evellyn foi transferida para esse carro e levada ao sítio, na região de Ravena, em Sabará, onde permaneceu em cativeiro.
Uma das peças consideradas decisivas para a investigação surgiu quando a polícia encontrou indícios da participação do pai da criança. Com apoio da Polícia Penal, foi realizada uma busca na cela de Sidirlei, no Presídio de Francisco Sá. Aparelhos utilizados por ele foram apreendidos, interrompendo a comunicação com os demais envolvidos.
De acordo com a Polícia Civil, os sequestradores tentaram entrar em contato com Sidirlei, mas não conseguiram. Evellyn conhecia os envolvidos no crime — Sheyla, por exemplo, era chamada de “tia” pela menina.
Para os investigadores, o medo de serem reconhecidos pela criança fez com que o grupo decidisse matá-la.
Trajeto até região de mata
A polícia conseguiu reconstruir os deslocamentos realizados após o cativeiro. O veículo usado pelos suspeitos deixou o sítio e seguiu até uma região de mata próxima à Estrada do Capão, em Sabará. Depois, retornou ao imóvel.
Mais tarde, os envolvidos voltaram para Belo Horizonte, lavaram o carro e o devolveram à locadora.
As buscas pelo corpo da criança mobilizaram policiais civis, bombeiros, cães farejadores e técnicas especializadas de procura em áreas de mata. A passagem do tempo, porém, dificultou os trabalhos e, até a conclusão do inquérito, os restos mortais de Evellyn não haviam sido encontrados.
Investigado confessou participação
Um dos indiciados, Alex Lucas, decidiu colaborar com a investigação e confessou, na presença de um advogado, a participação no crime. Ele levou os policiais até a região onde afirmou ter visto Marcos Evangelista retirar Evellyn do porta-malas do veículo e entrar com a menina na mata.
Alex afirmou que não presenciou o momento da morte. De acordo com a Polícia Civil, o relato foi confrontado com outros elementos reunidos ao longo do inquérito e corroborado pelas técnicas investigativas.
Após a colaboração de Alex, Sheyla também prestou depoimento e forneceu informações sobre a atuação do grupo.
Para os investigadores, provas técnicas, depoimentos e a análise dos deslocamentos dos veículos permitiram identificar a participação dos suspeitos nas diferentes etapas da ação criminosa.
Mais de 18 mil quilômetros percorridos
Ao longo de mais de três anos, as equipes envolvidas na investigação percorreram mais de 18 mil quilômetros e realizaram diligências em 31 municípios de cinco estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Goiás.
Foram cumpridas medidas judiciais e analisados veículos, comunicações e deslocamentos para reconstruir desde a preparação do sequestro até os atos praticados após os assassinatos.
O inquérito passou por diferentes equipes desde 2023 e foi concluído neste mês pela Delegacia Especializada Antissequestro. Segundo a Polícia Civil, a dinâmica dos crimes foi integralmente esclarecida.
Sidirlei, que tinha 39 anos na época dos fatos e atualmente tem 42, possui registros policiais por tráfico de drogas, associação para o tráfico e roubo. Alex tinha 34 anos na época do crime e hoje tem 37, com registros por homicídio e tráfico de drogas. Sheyla, atualmente com 44 anos, não possuía passagens policiais. Marcos Evangelista tinha registros por crimes como homicídio, extorsão mediante sequestro e tráfico de drogas.
O procedimento foi encaminhado ao Ministério Público, que já apresentou denúncia à Justiça. Para a Polícia Civil, mesmo sem a localização do corpo, o conjunto de provas reunido sustenta que Evellyn foi assassinada depois de deixar o cativeiro e ser levada para uma região de mata em Sabará.
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