Polícia indicia síndica por mudar fachada de prédio tradicional de BH

Administradores do Condomínio JK instalaram grades na entrada de um dos blocos; delegado afirma que houve crimes contra o patrimônio cultural

Síndica alegou que grade era para impedir andarilhos

Síndica alegou que grade era para impedir andarilhos

Reprodução / Record TV Minas

A Polícia Civil indiciou, nesta quarta-feira (17), a síndica e o gerente-geral do Condomínio JK, um dos mais tradicionais de Belo Horizonte, no inquérito que investigou a instalação de grades na rampa de acesso a um dos blocos.

Eduardo Vieira Figueiredo, delegado responsável pelo caso, afirma que os administradores dos prédios teriam “descaracterizado a fachada” do espaço, cometendo crimes contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural.

De acordo com Figueiredo, a estrutura poderia ter sido colocada, caso houvesse a autorização da Diretoria de Patrimônio Cultural e Arquivo Público de Belo Horizonte, uma vez que condomínio faz parte do conjunto urbano da Praça Raul Soares, que está em processo de tombamento.

O delegado afirma que os indiciados alegaram que foi preciso instalar as grades para melhorar a segurança do local e impedir a entrada de moradores de rua.

— Por mais que exista a necessidade analisada pelos indiciados da segurança, existe também a previsão legal que qualquer alteração na estrutura de um bem especialmente protegido precisa de uma autorização prévia dos órgãos públicos competentes.

A grade polêmica que motivou a investigação continua no mesmo lugar. Segundo os investigadores, caberá à prefeitura decidir o que será feito no local a partir de agora.

Leia também: Declarações de amor e alertas iluminam prédio de BH

Caso o Ministério Público acate o indiciamento da Polícia Civil e denuncie os administradores do prédio, eles vão responder por crimes com penas que variam de um a três anos de prisão, além de multa. A reportagem tenta contato com os indiciados.

Condomínio JK

Conhecido popularmente como "JK", o condomínio que fica na região Centro-Sul de Belo Horizonte foi projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, em 1952. Ele é composto por duas torres amarelas, sendo uma de 23 andares e a outra com 36.

Durante a pandemia, os paredões dos prédios se tornaram outdoors de mensagens de motivação e apoio à população da capital mineira no combate à covid-19. O projeto é realizado pelo "Viva JK", formado por um grupo de moradores que se uniram para valorizar a história do conjunto modernista.