Minas Gerais Primeiro ato público de vacinação em MG contrariou norma técnica

Primeiro ato público de vacinação em MG contrariou norma técnica

Técnicos da saúde orientaram o Governo de Minas sobre a possibilidade de perda de doses, mas evento ocorreu mesmo assim

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Governador Romeu Zema (Novo) acompanhou ato simbólico de vacinação

Governador Romeu Zema (Novo) acompanhou ato simbólico de vacinação

Divulgação/Alexandre Rezende/Nitro

O primeiro evento público de vacinação contra a covid-19 em Minas Gerais, que contou com a presença do governador Romeu Zema (Novo), em 18 de janeiro, foi feito contrariando uma norma técnica da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais).  

A informação foi revelada pela diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis, Janaína Fonseca de Almeida Souza, durante depoimento nesta terça-feira (4) à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga irregularidades no processo de vacinação de servidores da saúde do Governo de Minas. 

De acordo com Janaína, uma norma técnica foi encaminhada ao Governo do Estado para avisar sobre a possibiliadde de que doses de vacinas contra a covid-19 poderiam perder sua eficácia já que não estariam armazenadas da forma adequada. Mesmo com essa orientação, o Executivo organizou uma cerimônia no Aeroporto Internacional de Confins, na região metropolitana, onde as doses desembarcaram naquele dia. 

Janaina confirmou, ainda, que uma caixa com 35 doses de vacinas contra a covid-19 sofreu oscilação de temperatura devido à exposição em ambiente não refrigerado e servidores da SES-MG foram vacinados com doses que haviam sido abertas para a imunização dos primeiros profissionais de saúde que receberam os imunizantes no próprio aeroporto. 

— Havia uma orientação técnica para não ocorrer o evento simbólico. 

Questionada pelo relator da CPI, o deputado Cássio Soares (PSD), sobre quem deu a ordem para que o evento fosse realizado, a diretora Janaina Fonseca afirmou que "partiu do Governo do Estado de Minas Gerais". 

Ela, no entanto, afirmou que a realização do evento foi importante como parte da conscientização sobre a vacinação contra a covid-19. 

— Havia uma insegurança muito grande com relação à vacina. Muitos duvidavam da eficácia, então, o evento foi importante para conscientizar. Do ponto de vista técnico, sabíamso do risco de desvio de temperatura, o que realmente ocorreu. 

Outro lado

A reportagem pediu posicionamento ao Governo de Minas sobre o ato simbólico realizado no dia 18 de janeiro. Em nota, a assessoria de imprensa do Executivo estadual, afirmou que Minas Gerais recebeu 577.480 doses no primeiro lote de vacinas da Coronavac enviado naquela data e que o evento foi feito "para reforçar a importância do processo e estimular a imunização".

Cinco servidores da Fhemig (Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais) foram vacinados na ocasião, "assim como vários estados e municípios do país".

A reportagem questionou a assessoria do Governo de Minas se o governador Romeu Zema (Novo) sabia da norma técnica da secretaria e quem decidiu pela realização do evento, mesmo após a recomendação da SES-MG. 

De acordo com a assessoria de imprensa, o processo de vacinação de servidores da pasta está sendo investigado "pela CGE (Controladoria Geral do Estado), que irá compartilhar as apurações com o Ministério Público e com a Comissão Parlamentar de Inquérito da Assembleia legislativa de Minas Gerais (ALMG) que também investigam a matéria".

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