Minas Gerais Rodoanel vai facilitar escoamento da produção da Vale na Grande BH

Rodoanel vai facilitar escoamento da produção da Vale na Grande BH

Atingidos pelo rompimento da barragem criticam inclusão da obra, que vai receber mais verba que fundos destinados a eles

  • Minas Gerais | Lucas Pavanelli, do R7

Barragem da Vale se rompeu em janeiro de 2019 e matou 270 pessoas

Barragem da Vale se rompeu em janeiro de 2019 e matou 270 pessoas

Reprodução/RecordTV/26.01.2019

Entidades que representam os atingidos por barragens criticam a destinação de R$ 4,5 bilhões do dinheiro destinado à reparação do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho para a obra do Rodoanel da região metropolitana de Belo Horizonte.

A obra de 100 km de extensão vai ligar as BRs 040, 262 e 381 foi uma das primeiras a serem incluídas no acordo assinado entre o Governo de Minas Gerais e a mineradora, no valor de R$ 37 bilhões - dos quais R$ 6,3 bilhões a mineradora alega já ter pago. Quando estiver pronta, entre 2026 e 2027, poderá ser usada pela Vale para escoar a produção de minério com destino aos portos do Rio de Janeiro. 

Veja: Dinheiro de acordo com a Vale vai para obras, metrô e atingidos

Os atingidos por barragens questionam a inclusão da obra, que deve começar em 2023 em um acordo que deveria ter, como prioridade, as famílias que perderam renda, emprego e tiveram suas vidas impactadas diretamente pela tragédia, em janeiro de 2019. É o que opina uma das coordenadoras do MAM (Movimento pela Soberania Popular na Mineração), Maria Júlia Gomes Andrade. 

— Se o acordo é bom para o Rodoanel, não resolve problemas muito concretos da população atingida. O Rodoanel vai permitir, inclusive, o escoamento da produção da própria Vale em Brumadinho.

A verba destinada para a construção do Rodoanel é 50% maior do que o montante que vai ser enviado para um fundo em que os próprios atingidos poderão definir as prioridades para os recursos. 

Ação no STF

Nesta quarta-feira (10), PT, PSOL e entidades que representam os atingidos entraram com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) questionando o acordo. O objetivo da ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) é suspender os termos do documento firmado entre as partes para garantir maior participação dos atingidos. 

O objetivo não é anular o acordo firmado no dia 4 de fevereiro, mas garantir que os atingidos tenham espaço para participar na construção dos termos de acordo.

De acordo com as entidades, os R$ 7,4 bilhões que são destinados aos atingidos deve ser pago normalmente, conforme a petição, enquanto um novo acordo, com a participação das famílias não seja formalizado.

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