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Sangue no carro e celular no esgoto: entenda como corretora foi morta por síndico

Mineira Daiane Alves Souza desapareceu no dia 17 de dezembro; nesta quinta (18), PC concluiu que crime foi premeditado

Minas Gerais|Maria Luiza Reis, do R7

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Ponto de virada na investigação foi recuperação do celular de Daiane, encontrado em uma caixa de esgoto Jornal de Brasília

A morte da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, em Caldas Novas (GO), foi esclarecida após uma investigação que começou como desaparecimento e terminou com a conclusão de homicídio qualificado com ocultação de cadáver. Veja a seguir, o passo a passo da apuração conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da Polícia Civil do Estado de Goiás, divulgado nesta quinta-feira (19):

Desaparecimento que levantou suspeitas

No dia 17 de dezembro de 2025, Daiane foi dada como desaparecida. Inicialmente, o caso foi tratado como sumiço comum.


Mas, nas primeiras diligências, investigadores encontraram indícios de que algo mais grave havia ocorrido:

  • O fornecimento de energia do apartamento da vítima havia sido desligado manualmente, por intervenção física no padrão.
  • Não havia imagens ou registros que comprovassem que ela saiu do condomínio com vida.
  • O síndico do prédio apresentou versões contraditórias sobre horários, procedimentos e o motivo da ida da vítima ao subsolo.

A hipótese de desaparecimento voluntário foi descartada.


Síndico

As inconsistências nas declarações levaram a polícia a concentrar a investigação no síndico do condomínio, Cleber Rosa de Oliveira.

A análise de dados telefônicos apontou:


  • Deslocamento do investigado em horários considerados críticos.
  • Ausência de comunicação durante o período compatível com o crime e o transporte do corpo.

A conduta levantou suspeitas de premeditação e ocultação. No dia 28 de janeiro de 2026, Cleber foi preso. Durante os desdobramentos, ele indicou o local onde teria deixado o corpo. A ossada foi encontrada às margens da rodovia GO-213, a cerca de 15 km da cidade.

O filho do investigado chegou a ser detido por suspeita inicial, mas a participação dele foi descartada por falta de provas.


Em interrogatório, Cleber alegou:

  • Que houve discussão com a vítima.
  • Que ocorreu luta corporal.
  • Que o disparo foi acidental.
  • Que transportou o corpo e o descartou na rodovia.
  • Que jogou a arma em um braço do lago Corumbá.
  • Que descartou o celular da vítima em uma caixa de esgoto do prédio.

Ele também afirmou ter feito uma limpeza superficial no local.

Celular no esgoto: a prova decisiva

O ponto de virada na investigação foi a recuperação do celular de Daiane, encontrado em uma caixa de esgoto no prédio.

No aparelho, restaurado pela polícia, havia um vídeo gravado pela própria vítima no momento em que descia ao subsolo para verificar a falta de energia.

As imagens mostraram:

  • O investigado já presente no local.
  • Aproximação por trás, com identidade parcialmente ocultada.
  • Ataque súbito, sem qualquer indicativo de discussão prévia.
  • Interrupção abrupta da gravação.

Para os investigadores, o vídeo comprova emboscada planejada.

Sangue no carro e no local

A perícia com luminol identificou:

  • Reações positivas para sangue no cômodo indicado.
  • Vestígios biológicos no veículo utilizado pelo investigado.

Os indícios foram considerados compatíveis com o transporte do corpo.

Disparo não foi acidental

Testes periciais reforçaram que não houve acidente:

  • Simulação de disparos no mesmo dia da semana e horário indicou que tiros seriam audíveis na portaria.
  • Testemunhas afirmaram não ter ouvido disparos no dia do crime.
  • Laudo antropológico apontou lesões cranianas graves, com fraturas compatíveis com dois disparos de arma de fogo.

A polícia concluiu que a dinâmica era incompatível com tiro acidental.

Conclusão: emboscada premeditada

Com base em provas digitais, laudos periciais, análise técnica e testemunhos, a Polícia Civil concluiu que:

  • Houve homicídio qualificado.
  • A vítima foi atraída ao subsolo sob pretexto funcional.
  • O ataque foi inesperado e impossibilitou defesa.
  • O corpo foi ocultado para assegurar impunidade.

Cleber Rosa de Oliveira segue como autor direto do crime, segundo a conclusão da investigação;

A investigação aponta que a morte de Daiane não foi resultado de discussão ou acidente, mas de uma emboscada planejada e executada com frieza.

Veja momento da emboscada:

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