Tatuadora cobra metade do preço para cobrir marcas de agressão
Maíra Fonte Boa oferece o serviço para mulheres, gays ou transexuais vítimas de ódio
Minas Gerais|Do R7

Uma tatuadora de Belo Horizonte oferece 50% de desconto nos seus trabalhos a pessoas que foram vítimas de agressão. Após uma postagem da artista Maíria Fonte Boa na internet, com mais de 60 mil visualizações, o estúdio já foi procurado por mais de 40 pessoas com cicatrizes no corpo.
É o caso da advogada Cintia Melo. Há um ano, ela participava de uma manifestação em Belo Horizonte, quando levou um tiro de borracha, da Polícia Militar. Na ocasião, a ação dos militares foi duramente criticada pelos participantes do protesto.
— A polícia encurralou os manifestantes, mandou dispersar, mas não tivemos tempo hábil. Eu tropecei e caí e quando eu levantei, eu fui resgatada por um amigo, na correria de fugir, eles acertaram minha perna.
Segundo Cintia, o machucado foi grande e acabou deixando uma marca escura que a incomodava. A advogada decidiu substitui a cicatriz por uma tatuagem de girafa.
— Eu gosto muito de bicho, sou vegana. E gosto de girafa e ela [tatuadora] acabou integrando a mancha com uma das manchinhas da girafa.
A sessão durou três horas edeveria custar R$500, mas com o desconto saiu por R$ 250. Maíra também cobre outras tatuagens que lembram companheiros agressores das vítimas.
— Esse serviço de 50% é oferecido para mulheres que tenham histórico de agressão, física ou psicológica, para pessoas homoafetivas, que sofreram agressão de espancamento na rua, ou em qualquer lugar, isso infelizmente acontece, e para a comunidade transexual também.
Segudo dados da Secretaria de Estado de Defesa Social, a cada hora pelo menos 15 mulheres são agredidas em Minas. O objetivo, segundo Maíra, é dar outro significado para as cicratizes: o de superação
— A pessoa sai daqui com outro brilho no olhar. E sentem mais à vontade para usar um short ou blusa que nao usava mais.















