Tribunal em MG julga 5º acusado de massacre na Chacina de Felisburgo
Crime aconteceu em 2004, quando um grupo entrou na Fazenda Nova Alegria e disparou contra pessoas em um acampamento, matando 5 pessoas
Minas Gerais|Lucas Pavanelli, do R7

O 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte julga nesta segunda-feira (13), mais um dos acusados de matarem cinco pessoas e ferirem outras 12 no massacre que ficou conhecido como Chacina de Felisburgo, cidade que fica a 729 km da capital mineira, localizada no Vale do Jequitinhonha.
Dessa vez, quem senta no banco dos réus é o ex-policial Calixto Luedy Filho, sobrinho do dono da Fazenda Nova Alegria, Adriano Chafik Luedy, condenado em 2013 a 115 anos de prisão por ser considerado mandante do massacre. Calixto é o quinto réu a ser julgado pelo crime. Nove pessoas ainda aguardam julgamento, mesmo 15 anos após o massacre.
Relembre o caso
O crime aconteceu em novembro de 2004, quando um grupo de homens abriu fogo contra um acampamento na Fazenda Nova Esperança, em Felisburgo, matando cinco pessoas e ferindo outras 12. Uma escola e 27 casas foram incendiadas.
De acordo com a denúncia do MPMG (Ministério Público de Minas Gerais), integrantes do MST (Movimento dos Sem Terra) entraram no terreno da Fazenda, ao saberem que se tratava de terras devolutas (propriedades públicas que nunca pertenceram a um particular, mesmo estando ocupadas).
Após a ocupação, Adriano Chafik Luedy entrou com uma ação de reintegração de posse, mas foi derrotado. Como a Justiça decidiu que as terras pertenciam à União, determinou a demarcação do terreno em favor das famílias que já estavam assentadas no local.
Ainda de acordo com o MPMG, inconformado com a derrota jurídica, Adriano Chafik reuniu 14 homens, que passaram a ameaçar os assentados, até que, em novembro de 2004, ordenou e liderou o ataque ao acampamento. Ele próprio teria conduzido parte do grupo para o local.
A denúncia tem 15 réus, sendo que os julgamentos já realizados foram desmembrados do processo principal. Admilson Rodrigues Lima, um dos réus, morreu.
Calixto é o quinto réu a ser julgado. Os primeiros foram o fazendeiro Adriano Chafik Luedy e Washington Agostinho da Silva, em 10 de outubro de 2013. Eles foram condenados a 115 e 97 anos de prisão, em regime fechado, respectivamente.
Em 24 de janeiro de 2014, Francisco de Assis Rodrigues de Oliveira e Milton Francisco de Souza foram condenados, ambos, a 102 anos e seis meses de reclusão, em regime inicial fechado.














