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Vale usou 4 toneladas de explosivo durante detonação em Brumadinho

Explosão ocorreu no dia em que a barragem da mina Córrego do Feijão se rompeu, mas empresa diz que aconteceu após o rompimento da represa

Minas Gerais|Pablo Nascimento, do R7, com Enzo Menezes, da Record TV

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Detonação ocorreu a 1,3 km da barragem B1
Detonação ocorreu a 1,3 km da barragem B1

A mineradora Vale usou 4,6 toneladas do composto químico nitrato de amônio durante uma detonação, que aconteceu na cava da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, no dia em que a barragem da empresa se rompeu.

Os dados estão no documento chamado "Plano de Fogo". O jornalismo da Record TV teve acesso aos papeis, assinados por Edmar de Rezende, aplicador de explosivos da Vale.

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Durante depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, que investiga a tragédia, o funcionário da mineradora revelou que ocorreu uma detonação na mina no mesmo dia em que a barragem B1 estourou.

Segundo ele, a explosão, que já estava programada, aconteceu às 13h33, mais de uma hora após o rompimento da barragem — ocorrida às 12h28. No entanto, Eiichi Osawa, da empresa terceirizada Sotreq, disse na mesma audiência que teria presenciado a explosão entre 12h20 e 12h40.

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Documento indica que detonação aconteceu às 13h33
Documento indica que detonação aconteceu às 13h33

De acordo com a engenheira civil e especialista em barragens Rafaela Baldí Fernandes, a quantidade de nitrato de amônio utilizada é considerada “razoável”.

— Para calcular é preciso levar em consideração o tipo de rocha. Quanto mais dura, mais explosivo é necessário. A mina do Feijão é de minério de ferro, que são rochas bem rígidas.

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Um vídeo gravado por funcionários da Vale mostra o momento da detonação.

Investigações

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Nesta terça-feira (25), a Polícia Civil de Minas Gerais divulgou uma nota informando que investiga se a detonação colaborou para o rompimento da barragem, que ficava a 1,3 km do local da explosão.

Os investigadores querem confirmar se o procedimento ocorreu mesmo às 13h33, já que os dados foram preenchidos manualmente. Registros sismológicos podem ser uma alternativa para verificar.

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Rezende explicou que decidiu seguir com a detonação programada mesmo sabendo que a barragem havia estourado, uma vez que seria perigoso deixar os explosivos instalados e que não era viável retirá-los.

O Plano de Fogo assinado pelo funcionário da Vale mostra que as 4,6 toneladas de explosivos foram distribuídas em 62 buracos feitos na cava. O documento preenchido indica que o material foi colocado no local às 9h.

O relatório também mostra que as sirenes de detonação estavam funcionando e que a explosão ocorreria a uma distância mínima de 500 metros das pessoas.

A engenheira Rafela Baldí defende que Rezende tomou uma decisão correta ao prosseguir com a detonação.

— Foi uma decisão acertada porque deixar os furos carregados seria perigoso.

Procurada, a Vale confirmou que houve a detonação, mas afirmou que ocorreu após o rompimento da barragem, "por medida de segurança". A reportagem questionou a empresa sobre datas e horários das detonações anteriores, mas a mineradora não respondeu.

Veja a nota a íntegra da nota da mineradora:

"A Vale esclarece que, no dia 25/01, antes do rompimento da barragem B1, não houve detonação nas minas do Córrego do Feijão e Jangada. Após a ruptura, por medida de segurança, foram realizadas duas detonações que já estavam programadas para ocorrer, em distância e com cargas seguras. As detonações foram mantidas com o objetivo de eliminar qualquer risco vinculado à presença de furos carregados de explosivos no complexo do Córrego do Feijão.”

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