"Vou ficar na área do esporte", fala goleiro Bruno sobre futuro
Em entrevista exclusiva, Bruno falou de sofrimento em presídio e disse que quer se formar
Minas Gerais|Do R7 com RecordTV Minas

O ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado, em 2013, a 22 anos de prisão pela morte de Eliza Samudio, falou, com exclusividade com a equipe da RecordTV Minas sobre como está a vida dele. No próximo ano ele deve entrar em regime semiaberto e já faz planos para entrar na faculdade. “Eu penso em fazer educação física e vou ficar na área do esporte”, conta.
Ele está cumprindo pena na na Apac (Associação de Proteção e Assistência ao Condenado) de Santa Luzia, na região metropolitana de Belo Horizonte. Nessas unidade, os recuperando realizam quase todos os trabalhos de manutenção do espaço. Sob a responsabilidade de Fernandes, ficam algumas chaves do imóvel. Para ele, a terefa é um é um trabalho que deposita nele confiança e que requer atenção.
— Eu acho que quando se fala de disciplina com amor, que está dentro do decálago da Apac, você pegar a chave, poder abrir a cela, é completamente diferente. Para o recuperando da Apac é normal. Quando a pessoa chega aqui, ela chega sem sonhos e sem objetivo. Quando ela começa a ser tratada de uma outra forma e a entender o trabalho que começa a ser feito aqui, ela começa a ver que existe uma luz no fim do túnel.
Essa diferença entre essas Associações e o sistema prisional tradicional são muito grandes para o ex-jogador. Ele conta que percebeu isso, principalmente, quando voltou a ser chamado pelo nome.
— Uma das coisas que o sistema comum tira de nós é o nome. No sistema comum, nós somos apenas mais um número. Lá eu era o 326944, aqui eu voltei a ser o Bruno Fernandes.
Fernandes classificou como momentos de sofrimento o período em que ele passou no presídio comum. Segundo ele, o sistema utilizado não recupera ninguém.
— Foram dois anos de sofrimento, tanto para mim, quanto para a minha família, especialmente a minha esposa que sempre esteve comigo durante todos estes anos. Ela foi uma das pessoas que correu atrás a minha vinda para a Apac Santa Luzia. Ela foi a pessoa que mais acreditou e se dedicou para isso porque ela estava vendo que estava me perdendo para o sistema comum. E esse sistema comum que eu digo é o crime. Ela viu que se ela não tomasse uma atitude, ela ia me perder para o crime.
O ex-goleiro, de 32 anos, guarda más lembranças do período em que esteve preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo ele, havia uma cobrança maior sobre ele, do que sobre os outros detentos.
— Foi horroroso estar na Nelson Hungria. É um sistema bruto e humilhante. Apesar de eu ter passado em um pavilhão de trabalho, durante um certo tempo, lá forjaram uma falta grave para mim. Tudo o que eu pedia para um coordenador de trabalho não podia, mas ao mesmo tempo em que um preso ao meu lado pedia a mesma coisa, ele cedia.
Na unidade na qual Fernandes está, o espaço é amplo, com estrutura moderna e os recuperandos contam com várias atividades no local. Algumas pessoas dizem que eles ficam livres, como se estivessem em um hotel, mas Fernandes ressaltou que os recuperandos têm muito trabalho a cumprir no local.
— As pessoas que falam isso são aquelas que não acreditam na ressocialização do ser humano. Poucas pessoas conhecem o trabalho da Apac.
A responsável pela unidade contou que Fernandes esperou quase dois anos para conseguir uma vaga no local. Segundo ele, foi um espaço conquistado e que ele valoriza.
— As vezes as pessoas pensam que por ser uma pessoas pública e estar cumprindo pena, que nós temos regalia, mas só Deus sabe o que eu passei no sistema prisional, principalmente na Nelson Hungria. Eu comecei a fazer o pedido para a Apac em 2012, mas talvez se eu tivesse vindo para cá na época, eu não teria dado valor, como eu dou hoje. Nada melhor do que o tempo.
Dentro da Apac, Fernandes voltou a estudar e conclui neste ano o ensino médio. Agora, ele planeja fazer um curso superior, sem deixar o esporte de lado.
— Eu penso em fazer educação física e vou ficar na área do esporte. Eu vou me tornar um preparador físico ou, quem sabe, um treinador de goleiro. Mas primeiro é pagar a dívida que eu tenho com a Justiça para, depois, ir atrás dessa oportunidade.
O ex-goleiro reclamou da demora de julgamento do processo dele junto ao Tribunal de Justiça. Ele, que tem previsão de cumprir a pena em regime semiaberto a partir de 2018, falou que isso já poderia ter acontecido, caso o processo dele, do ano de 2013, já tivesse sido julgado pelo TJ.
— Geralmente, o processo de um preso normal dura em média de seis meses a um ano. O meu está há quatro anos no TJ e ele não é solto. Eu não quero regalia. Eu quero uma coisa que é do meu direito. Então eu não sei quando vou sair, mas o que está no papel, eu não posso aceitar porque aquilo não bate.
Perguntado sobre a perspectiva para a vida após a saída da prisão, Fernandes declarou que é uma pessoa sonhadora e que tem planos para quando acabar de cumprir a pena.
— Eu tenho planos. Eu acho que a pessoa vive de sonhos e eu sou sonhador. Independente do que aconteceu na minha vida, eu acho que já estou pagando pelo o meu erro e é um preço muito alto.
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