‘Vou sustentar você’: saiba quais eram as promessas de mulher criada por IA que enganou seguidores nas redes
Vídeos de mineira gerados por inteligência artificial prometia uma vida farta e tranquila para quem fosse morar com ela
Minas Gerais|Arnon Gonçalves, do R7
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

“Quero que você seja o meu homem e que mande em mim”, dizia a mulher em vídeos criados por Inteligência Artifical que enganou vários seguidores nas redes sociais. Conhecida como Jéssica Fazendeira, a suposta mulher aparecia em um cenário rural, sempre prometendo que quem fosse até ela poderia se casar, ser cuidado e ter uma vida tranquila.
Um pedreiro caiu na lábia. Ele gastou todo o salário que tinha para viajar de Imperatriz, no Maranhão, até Belo Horizonte, em Minas Gerais, para conhecer a fazendeira. Na cidade, descobriu que ela nunca existiu e que tinha sido enganado. Mas ele não foi o único. Nas publicações é possível encontrar vários comentários de pessoas interagindo com a mulher, acreditando se tratar de alguém de verdade.
Promessas
O perfil, que acumulava mais de 300 mil seguidores, antes de ser retirado do ar, mostrava uma mulher loura, sempre com um fundo rural. Nas imagens era possível ver caminhonetes, celeiros e até animais. Nos discursos, ela contava uma história de que morava na região e estava em busca de alguém: “estou me sentindo tão sozinha. Mas todos os homens com que eu converso, quando falo que moro na roça eles param de responder. Eu não entendo porque disso, morar na roça também é uma vida digna. As vezes eu falo que vou pagar pra eles virem, mas não adianta”, contava a suposta mineira.
Outras vezes, ela deixava claro o público que pretendia atingir, com conteúdos voltados mais para homens. “Quero muito um homem aqui na minha fazenda, mandando em mim, pra eu cuidar dele, pra eu mostrar a mulher raiz que eu sou. Gosto de ficar passando roupa, limpando a casa, fazendo um bolo com café quente. É o meu sonho”, dizia nos vídeos.
Veja algumas das postagens:
No final de todos os vídeos, a mulher pedia para que as pessoas comentassem se eles tinham ou não coragem de ir morar com ela.“Eu vou sustentar você, se você vier morar comigo aqui no interior de Minas. Eu posso te dar vida de rei, basta você comentar aqui se você quer ou não”
Para convencer os seguidores, ela dizia que achava a cidade grande muito barulhenta e que escolheu morar na fazenda. Além disso, contava que tinha um filho que cresceu no lugar e depois se mudou para a Suiça. Entre um vídeo e outro, quem administra a página aproveitava para inserir propagandas de lojas virtuais.
Pedreiro enganado
O pedreiro Edimar Rocha Martins, de 49 anos, teve uma surpresa ao sair do Maranhão para conhecer a amada, em Minas Gerais. Até então, ele só havia visto a mulher por vídeos publicados nas redes sociais. Ao chegar em Belo Horizonte, na capital mineira, se assustou: a mulher era, na verdade, feita por inteligência artificial.
O pedreiro disse que por estar sozinho há um tempo, e querer construir um relacionamento, acreditou nos vídeos e decidiu fazer a viagem para conhecer a mulher. Mesmo sem saber o suposto endereço dela, resolveu viajar para Belo Horizonte, a 2 mil km de distância, onde imaginou que ela poderia estar. “Vim porque me deu a curiosidade de conhecer a pessoa que estava mandando mensagem pra mim, pra ver se era verdade mesmo”, conta.
Na capital mineira, Edimar foi em vários lugares procurando quem pudesse ajudá-lo a encontrar a tal mulher. Na cidade, ele foi alertado por outras pessoas de que possivelmente havia sido enganado. “A gente pode até desconfiar, mas quando a pessoa está na solidão, na tristeza, a gente acaba acreditando”, desabafa.
Alerta
Marcos Flávio, professor e especialista em inteligência artificial, explica que esse tipo de vídeo já é criado pensando em atingir um determinado público. “Pessoas mais carentes, que não entendem muito de tecnologia, não sabem diferenciar se é um vídeo falso ou não. E o que dá mais confiabilidade é que eles [as vítimas] mandam mensagem para o perfil e eles recebem uma resposta na hora, as vezes até personalizada. E isso passa uma impressão de que eles estão conversando com uma pessoa real. E muitas vezes não é uma pessoa real que está por trás, é um chat bot, uma inteligência artificial”.
Uma dúvida que fica para muitas pessoas é o que as pessoas por trás desses perfis ganham com isso. No caso do pedreiro do Maranhão, a mulher que aparece nos vídeos não pede dinheiro, mas divulga produtos. “Esses perfis são feitos para monetizar de diversas formas. Hoje é muito comum as pessoas criarem perfis de IA para ganhar seguidores e depois revender o perfil, ou para anunciar produtos. E muitos usam até deep fakes, usando vídeos com rostos de pessoas famosas, para tentar atrair outros idosos e fingir que são reais”, explica Flávio.
Por isso, ao se deparar com um vídeo suspeito nas redes sociais é importante ficar atento a alguns sinais, como as vozes, iluminação estranha e movimentação artificial.
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