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Nem todo atraso global do desenvolvimento é autismo: como diferenciar os quadros na infância

Diagnóstico correto é essencial para definir cuidados e intervenções adequadas

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Nos últimos anos, com o aumento de diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA), tornou-se mais comum a dúvida, tanto entre famílias quanto entre profissionais de saúde, sobre a relação entre atrasos no desenvolvimento infantil e o transtorno.

Embora alguns sinais possam se sobrepor, o Transtorno do Espectro Autista e o atraso global do desenvolvimento são condições distintas, e entender essa diferença é fundamental para um diagnóstico mais preciso e um plano de cuidado adequado.


De acordo com a médica e pesquisadora Gabriela Guimarães, que atua na área de neurodesenvolvimento infantil, o atraso no desenvolvimento não deve ser automaticamente interpretado como autismo. “São quadros que podem até coexistir, mas têm características e trajetórias diferentes”, explica.

Diferenças entre atraso global do desenvolvimento e autismo


O atraso global do desenvolvimento é caracterizado por um comprometimento mais amplo, que afeta diversas áreas ao mesmo tempo, como linguagem, cognição, motricidade e habilidades sociais. Segundo Gabriela Guimarães, nesses casos, a criança costuma apresentar um ritmo mais lento desde o início da vida. “É comum que essas crianças já apresentem dificuldades precoces, com atraso para sentar, engatinhar, falar e interagir”, afirma.

O autismo, por outro lado, é um transtorno do neurodesenvolvimento definido principalmente por dificuldades na comunicação e interação social, além de padrões repetitivos de comportamento. De acordo com a médica, uma diferença importante é que nem toda criança com autismo apresenta atraso global. “Há crianças com autismo que desenvolvem linguagem e outras habilidades, mas apresentam dificuldades específicas na comunicação social e comportamentos repetitivos”, explica.


Regressão de habilidades exige atenção

Um dos sinais que exige atenção especial é a regressão, quando a criança perde habilidades que já havia adquirido. De acordo com Gabriela Guimarães, esse é um ponto que não deve ser ignorado. “Se a criança falava, interagia e, em algum momento, perde essas habilidades, estamos diante de um evento clínico que precisa ser investigado”, alerta.


Sintomas semelhantes exigem avaliação cuidadosa para evitar confusões Imagem: Prostock-studio | Shutterstock

Por que os quadros podem ser confundidos?

A confusão entre autismo e atraso global do desenvolvimento acontece porque ambos podem apresentar sinais semelhantes, como atraso na fala, dificuldade de interação e menor resposta a estímulos sociais. No entanto, segundo a especialista, o problema está na generalização. “Quando usamos um único rótulo para situações diferentes, perdemos precisão e deixamos de considerar aspectos importantes sobre a origem do quadro”, afirma.

Para diferenciar os quadros, a avaliação médica leva em consideração fatores como o histórico do desenvolvimento, a presença de comportamentos repetitivos, a qualidade da interação social e a evolução ao longo do tempo. Segundo Gabriela Guimarães, esse processo deve ser feito por uma equipe qualificada. “Mais do que rotular, é fundamental compreender o perfil da criança e suas necessidades específicas”, destaca.

Quando investigar além do diagnóstico

O diagnóstico comportamental não deve encerrar a investigação clínica. De acordo com Gabriela Guimarães, algumas condições podem apresentar sintomas semelhantes ao autismo, como síndromes genéticas, epilepsia, doenças metabólicas e transtornos de linguagem. “Identificar a causa, quando possível, ajuda a direcionar melhor o acompanhamento e orientar as famílias com mais clareza”, explica.

Diagnóstico preciso impacta o cuidado

Entender se a criança tem autismo, atraso global do desenvolvimento ou outra condição não é apenas uma questão de nomenclatura. Isso pode influenciar diretamente o tipo de intervenção e o suporte oferecido.

De acordo com Gabriela Guimarães, as famílias buscam respostas mais completas. “Elas querem entender o que está acontecendo, por que aconteceu e quais são as possibilidades daqui para frente”, finaliza a especialista.

Por Daiane Bombarda

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