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Por que os alimentos estragam mesmo dentro da geladeira? Veja erros que fazem a comida durar menos

Cuidados simples antes e depois das compras ajudam a preservar produtos, aproveitar melhor os alimentos e reduzir o desperdício

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A rotina de armazenamento dos alimentos pode ter um grande impacto sobre o desperdício doméstico. Mesmo quando a compra é planejada, frutas, verduras, carnes, ovos, laticínios e preparações prontas podem perder qualidade antes de serem consumidos quando são mantidos em condições inadequadas. A questão ganha ainda mais destaque em 29 de setembro, Dia Internacional de Conscientização sobre Perdas e Desperdício de Alimentos.

Produtos guardados no lugar errado, carnes cruas próximas de preparações prontas, geladeira cheia demais, frutas e verduras úmidas e alimentos esquecidos no fundo são alguns dos hábitos que podem diminuir a durabilidade dos produtos.

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“Muitas vezes, o desperdício doméstico não acontece porque compramos alimentos ruins, mas porque não conseguimos armazená-los e utilizá-los no momento adequado”, explica a nutricionista Ana Lucia Ribeiro, coordenadora do curso de Nutrição do UniCuritiba.

A seguir, a especialista lista erros comuns no armazenamento de alimentos e explica como evitá-los. Confira!

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1. Guardar qualquer alimento na porta da geladeira

A organização da geladeira não é apenas uma questão de praticidade. Como a temperatura varia entre as diferentes áreas do equipamento, escolher corretamente onde guardar cada produto contribui para sua conservação.

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A porta é uma das regiões que mais sofre variações de temperatura e, por isso, deve receber itens menos sensíveis, como alguns condimentos e bebidas. Ovos e laticínios precisam permanecer refrigerados e, no caso dos ovos, o ideal é mantê-los em uma área interna da geladeira, e não na porta.

Verduras e muitos legumes devem ficar nas gavetas, preferencialmente protegidos em embalagens ou recipientes adequados. Preparações prontas ficam nas prateleiras, sempre protegidas. Já alimentos crus, especialmente carnes, precisam estar bem acondicionados e posicionados de forma que não haja risco de líquidos escorrerem sobre outros alimentos, preferencialmente nas partes inferiores da geladeira.

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2. Deixar a geladeira cheia demais

Aproveitar cada espaço disponível pode parecer uma boa estratégia, mas uma geladeira excessivamente cheia pode prejudicar a conservação dos alimentos. “A geladeira não deve ficar excessivamente cheia, porque o ar frio precisa circular”, orienta Ana Lucia Ribeiro. Por isso, além de evitar compras em quantidade maior do que a família consegue consumir, é importante organizar os produtos de maneira que o ar possa circular entre eles.

3. Refrigerar alimentos que ficam melhores fora da geladeira

Nem tudo precisa ser armazenado sob refrigeração. Batata, cebola e alho, por exemplo, devem permanecer em local fresco, seco, ventilado e protegido da luz. A banana também costuma ficar melhor fora da geladeira durante o amadurecimento.

Outro cuidado importante é observar quais frutas e hortaliças ficam próximas. Banana, maçã, pera, abacate e tomate liberam mais etileno, um gás natural que acelera o amadurecimento. Quando ficam próximos de alimentos mais sensíveis, como algumas folhas, brócolis e pepino, podem acelerar sua deterioração. “Isso pode ser utilizado a nosso favor quando queremos amadurecer uma fruta mais rapidamente, mas, para aumentar a vida útil, o ideal é separá-los”, explica a nutricionista.

Armazenar sobras de alimentos em recipientes limpos e fechados facilita a conservação e o controle das porções Imagem: Digito_Pitoresco | Shutterstock

4. Demorar demais para guardar as sobras de alimentos

Esperar horas até que uma preparação esfrie completamente para só então colocá-la na geladeira não é uma boa estratégia. Sobras e preparações prontas devem ser armazenadas em recipientes limpos e fechados e, de preferência, divididas em porções menores para favorecer o resfriamento.

Como orientação doméstica geral, muitas preparações prontas refrigeradas devem ser consumidas em aproximadamente três a quatro dias. O período, porém, pode variar conforme o tipo de alimento, a forma de preparo e a temperatura de conservação. Quando não houver previsão de consumo nesse intervalo, uma alternativa é congelar a comida em porções adequadas ao consumo da família.

5. Guardar frutas e hortaliças ainda molhadas

Lavar frutas e hortaliças e colocá-las ainda molhadas na geladeira é outro hábito que pode encurtar a vida útil desses alimentos. Isso porque o excesso de umidade favorece a deterioração.

Caso frutas, legumes e verduras sejam higienizados antes do armazenamento, é importante que estejam adequadamente secos antes de serem guardados. Também é necessário evitar alimentos sem proteção ou em embalagens inadequadas, que podem favorecer perdas e comprometer a segurança dos produtos.

6. Esquecer os alimentos mais antigos no fundo da geladeira

Colocar as compras novas à frente dos alimentos que já estavam na geladeira ou na despensa aumenta a possibilidade de que os produtos vençam ou estraguem antes de serem consumidos. Uma estratégia simples é deixar mais visíveis os itens com menor prazo de validade ou que estão armazenados há mais tempo. Assim, eles tendem a ser utilizados primeiro. “Organizar a geladeira e a despensa, deixando na frente aquilo que precisa ser consumido primeiro, faz muita diferença. Organização também é segurança alimentar”, afirma Ana Lucia Ribeiro.

Não confie apenas no cheiro e na aparência do alimento

Cheiro, aparência e textura ajudam a identificar alimentos deteriorados, mas não garantem que aquilo que parece normal esteja seguro para consumo. Alterações de cor ou textura, cheiro diferente, presença de bolor e embalagens estufadas são sinais de alerta e indicam que o produto não deve ser consumido. Entretanto, alguns microrganismos capazes de causar doenças podem estar presentes sem provocar mudanças perceptíveis.

“O alimento pode parecer, cheirar e até ter sabor normal e ainda assim apresentar microrganismos capazes de causar doenças. Por isso, não devemos usar apenas os sentidos como critério”, alerta a nutricionista.

Também não é recomendado experimentar um alimento para descobrir se ele ainda está próprio para consumo. Além da aparência, devem ser considerados o prazo de validade, o tempo de armazenamento e as condições de temperatura e conservação.

Planejamento ajuda a economizar e evitar desperdício

Os cuidados começam antes mesmo de os alimentos chegarem à geladeira. Planejar as refeições antes de ir às compras, conferir o que já existe na despensa e na geladeira e fazer uma lista ajudam a evitar compras desnecessárias.

Adquirir quantidades compatíveis com o consumo da família, congelar porções que não serão consumidas rapidamente, reaproveitar alimentos de maneira segura e utilizar partes comestíveis normalmente descartadas são outras medidas que contribuem para diminuir o desperdício. Além de evitar que alimentos próprios para consumo acabem no lixo, esses hábitos ajudam a aproveitar melhor o dinheiro gasto no supermercado.

Por Jennifer Koppe

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