O cancelamento da marca de tênis mais querida do mundo
Nike lança um novo tênis com as cores do motel onde Martin Luther King foi assassinado e causa revolta nos consumidores
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Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Agora foi a vez da Nike aprender que, cada vez mais, fica difícil para as empresas anteciparem qual será a reação dos consumidores.
As redes sociais mudaram para sempre o jogo de poder entre quem vende e quem compra e todo o sucesso do passado não garante futuro fácil para as marcas.
Acontece que a fabricante de tênis resolveu fazer uma homenagem ao ativista Martin Luther King, neste mês, lançando uma versão azul-turquesa, a mesma cor da fachada do hotel onde ele foi assassinado. Foi o estopim para o pedido de cancelamento da marca nas redes.
Martin Luther King é considerado um herói nacional na luta pelos direitos dos negros nos Estados Unidos.
Ele pregava a igualdade nos anos de 1960, quando foi assassinado na frente do Lorraine Motel, em Memphis, Tennessee, uma espécie de quartel-general do movimento antirracista. A morte foi tão significativa que o motel virou um museu, o Museu Nacional dos Direitos Civis.
Aí vem a Nike e bota nos pés do jogador de basquetebol LeBron James um novo modelo, com uma cor diferente, uma coroa na parte interna e a palavra igualdade escrita nos calcanhares.
Bum! Choveram as críticas. Mal gosto foi o menor dos comentários que apareceram nestes últimos dias.
Homenagear o local onde alguém foi assassinado é homenagem?

A maior questão associada ao novo tênis é a discussão do quanto é válida a apropriação de um fato político para a venda de qualquer que seja a mercadoria.
Fazer um tênis para “celebrar” a morte de um herói é realmente uma comemoração ou simplesmente uma desculpa para vender mais? Qual seria uma verdadeira celebração? Falar do discurso e das ideias de Luther King, ou usar a cor do local onde ele foi assassinado?
Talvez esse seja o principal ponto. Usar a cor do motel reforça o movimento pela igualdade ou banaliza o que aconteceu.
Alguns dos comentários mais fortes que apareceram diz que esse tênis mostra que existem poucos negros nos corredores da Nike, ou que eles têm pouca voz nas decisões da empresa.
Usar fatos políticos sempre é uma questão sensível. A própria Nike já lançou camisetas com a estampa do ativista e recebeu críticas por isso.
E, se pensarmos um pouco mais, camisetas com a imagem do revolucionário Che Guevara hoje não representam mais um “grito de liberdade contra o capitalismo”, mas só uma camiseta legal, com um cara com o braço levantado pro ar.
Não duvido que se sairmos com a imagem do Che na mão perguntando para as pessoas quem ele foi, a maioria não vai saber dizer nem o nome dele.
Está cada vez mais difícil prever a reação do consumidor
As empresas precisam pensar duas vezes hoje em dia antes de qualquer movimento, pois a reação nunca foi tão difícil de ser prevista. É só lembrarmos o que aconteceu com Bud Light.
Em abril de 2023, a cerveja, que era a líder de vendas nos EUA, fez um simples post com uma influencer trans Dylan Mulvaney, que havia se tornado uma celebridade quando, durante um ano, postou sua mudança de homem para mulher trans, se expondo e discutindo todos os pontos polêmicos durante a narrativa.
No post, Mulvaney convidava as pessoas a participar de uma promoção de vendas, que iria sortear centenas de prêmios.
Ela não era a única a divulgar a ação, mas o post gerou uma reação da sociedade americana de bebedores de cerveja, com cenas de pessoas declarando que nunca mais iriam comprar a marca e até a gravação de alguns metralhando caixas do produto.
A fabricante demorou a se pronunciar, quando abriu a boca foi meio vaga nas declarações, e a reação do consumidor foi clara. A cerveja perdeu a liderança de vendas, o que representa milhões de dólares de faturamento, e a VP e diretora da marca foram demitidas. Até hoje a marca não se recuperou.
Nike ainda nem lançou o tênis no mercado e já está sentindo a reação do público. Faltam ainda quatro dias para ele passar a ser vendido. No dia 24 a gente vai saber a real consequência da novidade.
Ou teremos filas e filas de ávidos compradores, desejosos de adquirirem os poucos modelos que estarão à venda (é bom lembrar que é uma série especial), ou vamos ver lojas sendo apedrejadas por inconformados ativistas.
De toda forma, uma coisa é certa. Ninguém vai ficar indiferente.
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