O futuro é escolher seu programa de TV favorito nas gôndolas dos supermercados
‘Stranger Things’ agora é tudo, desde batata frita até carro. A propaganda nunca mais será a mesma

Quando entrei no Salão do Automóvel e vi um Fiat Pulse preto e vermelho com um neon escrito Stranger Things em cima dele, pensei: alguma coisa nova está acontecendo no mundo da propaganda.
Sabe o que é Stranger Things? Não? Bem, essa é uma das séries de maior sucesso da Netflix, a maior plataforma de streaming do mundo. São mais de 300 milhões de assinantes, que têm o poder de escolher assistir ao que e quando quiserem.
Essa liberdade toda que as plataformas de streaming trouxeram geraram um novo problema. Como convencer o assinante a ver um novo conteúdo e, com isso, evitar que ele cancele a assinatura?
Enquanto concorrentes como Prime, da Amazon, e Disney+ têm usado a mídia tradicional para divulgar seus novos lançamentos, a Netflix abraçou o mundo da experiência e do licenciamento de marca. Tiraram seus programas da tela da TV e trouxeram para o mundo real, aumentando o envolvimento do assinante com os programas.
Lembra do escape room do La Casa de Papel? Ou da exposição imersiva do Round 6? Sabia que a empresa criou cafés temporários com a marca Emily in Paris? E que já existem as Netflix Houses, com exposição temporária e restaurantes? Pois é, todas essas iniciativas pareceram balões de ensaio para o que está acontecendo com Stranger Things.

Novo mundo temático
A série se passa na cidade de Hawkins, onde um grupo de adolescentes luta contra o governo, que faz experiências num laboratório secreto, e monstros de outra dimensão, chamado de Mundo Invertido.
Este ano, ela chega ao final, com a solução de todos os mistérios. Sua magia está em criar um clima de nostalgia dos anos de 1980, misturando humor, terror e realidade fantástica.
Todo esse novo universo permitiu à Netflix fazer algo no estilo de Harry Potter que, de um simples livro, virou um fenômeno cultural mundial. O mundo de Harry parece ser a inspiração para Stranger Things, pois já aconteceram exposições, escape rooms e restaurantes temáticos anteriormente.
Só que, agora, a empresa de streaming atacou um novo mundo, o de licenciamento. Só neste ano foram lançados a maionese, o protetor labial, o sorvete, a batata frita, o chocolate, a pipoca e até a pastilha de garganta dos aventureiros de Hawkins.
Marcas como Hellmann’s, Carmed, Oggi, Pringle’s, Nestlé, Yoki e Valda estão por trás dessas iniciativas. Agora vem o carro, que vai ter uma série especial de somente 500 unidades.

Todas são empresas grandes, multinacionais na maioria, que estão acostumadas a negociar com outras marcas. E que só entram numa novidade para ganhar. Então, isso é um sinal muito forte de que Netflix conseguiu abrir um novo canal de comunicação. Ou ver um produto com o nome estampado da sua série favorita não é um novo jeito de anunciar?
Netflix não paga o espaço na embalagem, nem no ponto de vendas, e ainda fatura algum trocado. As empresas criam um diferencial temporário, aumentando o desejo por seus produtos. Todo mundo sai ganhando.
Se continuar desse jeito, vai chegar um dia em que vamos escolher o que assistir na televisão andando nos corredores dos supermercados. Você vai bater os olhos no seu chocolate preferido e descobrir uma nova série de humor. Ou vai ficar em dúvida entre duas marcas de pão de forma, uma de uma série de ficção científica e outra de um seriado policial.
Lógico que estou exagerando. Mas é importante perceber esse movimento todo. O mundo está ficando mais complexo e as fronteiras entre produtos e serviços estão caindo. O que importa é entender o consumidor e como agradá-lo.
Já estou esperando o movimento da Globo. Vai ser ótimo comprar os biscoitos da Odete Roitman ou a pizza congelada do Caco Antibes...
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