Logo R7.com
RecordPlus

Volta do Salão do Automóvel em São Paulo parece um filme de Hollywood

Como no filme ‘De Volta para o Futuro’, estamos de frente a uma nova realidade. Saem as tradicionais marcas, entram as chinesas

Além do Marketing|Murilo MorenoOpens in new window

  • Google News

LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O Salão do Automóvel retornou após sete anos, mas com uma nova realidade, com a predominância de marcas chinesas.
  • Em 2018, as montadoras tradicionais dominavam o mercado com 55% das vendas; agora, esse número caiu para 51%.
  • Enquanto marcas como Fiat, Volkswagen e Chevrolet estão ausentes, as montadoras chinesas, como BYD, estão se destacando no mercado.
  • O evento é um reflexo das mudanças no setor automotivo, com possíveis novas transformações até a próxima edição em 2027.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Salão do Automóvel volta bem diferente do que foi na última edição Diego Cesilio 22.11.2025

Esta semana assisti duas vezes ao De Volta pro Futuro. Uma delas foi o filme com o DeLorean, o cientista louco Dr. Brown e o jovem Marty McFly. A outra foi quando cheguei ao Salão do Automóvel, em São Paulo, depois de sete anos.

Precisou de um puxão de orelha do presidente da República para que as montadoras aceitassem fazer novamente um dos eventos mais tradicionais do país. Só que, igual ao que acontece no filme, o Salão voltou, mas voltou muito diferente do que era.


Quando aconteceu sua última edição, em 2018, as quatro montadoras tradicionais do Brasil dominavam as vendas e os espaços do Centro de Convenções Imigrantes.

Chevrolet, Volks, Fiat e Ford ainda detinham quase 55% de todas as vendas e eram seguidas por Renault, Hyundai, Toyota e Honda. Chinesas? Todas somadas não vendiam nem um por cento do mercado e tinham fama de produto de baixa qualidade.


Desta vez, tudo está diferente. Se o McFly parasse seu carro no estacionamento e entrasse no Anhembi, para onde o evento retornou, iria se assustar e talvez pensasse estar em alguma cidade da China. Das 22 marcas de carro expostas, dez são daquele país. E delas, somente a Chery estava no Brasil na última edição. Todas as demais chegaram nas nossas ruas depois da pandemia, ou ainda estão para serem lançadas.

Interessante que, se em 2018 era difícil ver lançamentos nos estandes, já que a maior parte das montadoras não esperava o evento para apresentar novos modelos, desta vez, mesmo menor, o número de carros desconhecidos é enorme. Você se sente realmente num Salão Internacional e fica tentado a entrar em cada carro pra ver o que existe de diferente entre eles.


Talvez seja esse o ponto para se decepcionar. Todos os chineses são iguais. Ainda mais parados e limpos. As carrocerias se diferenciam um pouco, e ao se assentar no banco do motorista, a impressão é que se está no mesmo carro.

As duas telas de LCD, uma na frente do volante e outra, imensa, no meio do painel, fazem todos parecerem irmãos gêmeos, à primeira vista. Igual quando você vê uma TV da LG ao lado de uma da Samsung, precisa ligar para começar a entender as verdadeiras diferenças.


Os comandos têm mudanças sutis de posição, alguns funcionam com mais facilidade do que outros e, aí, você começa a se apaixonar por um ou por outro.

Não adianta procurar as quatro montadoras tradicionais. Somente a Fiat está presente. Volks, Chevrolet e Ford resolveram ficar de fora. E você não vai sentir falta delas. Nem da BMW, da Mercedes-Benz ou da Audi, que também não vieram. Essas ausências são o maior sinal de que tudo mudou.

Se antes as quatro detinham 55% do mercado, agora mal chegam a 51%, sendo que a ordem de vendas mudou, com Fiat na liderança, brigando pra não perder a posição pra Volks, e com a Chevrolet indo pro terceiro.

As chinesas? Vão bem, obrigado. Juntas já têm mercado maior do que a Hyundai, que conquistou a quarta posição, depois que Ford decidiu parar com sua produção local, virou uma importadora e despencou para a 12ª posição no ranking. Vale ressaltar que a BYD, a maior e mais agressiva chinesa, já é a oitava marca este ano.

Tudo isso junto mostra que voltar com o Salão do Automóvel foi uma decisão correta. Nada se parece com o que já foi um dia. Pra quem vive de marketing, ver a estratégia de cada marca, das que estão expondo e das que resolveram ficar de fora, é uma forma de entender por que todas essas mudanças de posição vêm acontecendo.

Lógico que o evento é só parte da história e estar presente não garante vendas. Mas se criar marca é ocupar espaços na cabeça do consumidor, todas as marcas presentes ganharam um ponto extra.

Agora é esperar 2027 e ver se, como no filme De Volta pro Futuro 2, tudo vai mudar de novo, como num passe de mágica.

✅Fique por dentro das principais notícias do dia no Brasil e no mundo. Siga o canal do R7, o portal de notícias da Record, no WhatsApp

Últimas


Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com oAviso de Privacidade.