Concessionárias Porsche e Volkswagen suspendem operações em partes da China
Crise resulta em redução no número de lojas enquanto marcas locais crescem
Concessionárias das marcas Porsche e Volkswagen em algumas regiões da China registraram interrupções nas operações, com showrooms vazios e atendimentos suspensos, o que fez soar o sinal de alerta no mercado chinês. Entre as localidades afetadas estão centros em Zhengzhou e Guiyang. Clientes relatam à imprensa que valores pagos como depósito para alguns veículos e pacotes de manutenção pré-pagos não tem sido cumpridos.

A Porsche China reconheceu publicamente os problemas enfrentados por algumas lojas e afirmou que está trabalhando com a polícia e com órgãos competentes para verificar a situação e proteger os direitos dos consumidores. Grupos de trabalho de autoridades locais foram formados para ouvir queixas de consumidores e facilitar acordos entre concessionárias e compradores.

O episódio ocorre em meio a um cenário mais amplo de queda nas entregas da Porsche na China. No acumulado dos primeiros nove meses de 2025, a marca teve 32.200 veículos entregues aos clientes no país, queda de 26 % em relação ao mesmo período do ano anterior, depois de um pico de cerca de 95 000 unidades em 2021.

Globalmente, as entregas da Porsche também recuaram — cerca de 6 % no período considerado — e o lucro operacional da empresa nos primeiros três trimestres de 2025 caiu drasticamente, impactado em grande parte pela desaceleração na China, que vinha sendo um dos principais mercados para a marca de luxo.

Em resposta ao enfraquecimento de vendas e às condições de mercado, a Porsche anunciou planos de reduzir sua rede de concessionárias no país, de cerca de 150 pontos autorizados para aproximadamente 120 até o fim de 2025 e na sequência para cerca de 80 até o fim de 2026, em um esforço para equilibrar cobertura com eficiência operacional.

O contexto dessa turbulência está ligado ao forte crescimento e competitividade das marcas locais de carros elétricos na China, que já dominaram uma fatia crescente do mercado doméstico, em parte em detrimento de fabricantes estrangeiros tradicionais. Hoje marcas como Nio, Onvo, Avatr, Exeed, entre outras vem ganhando espaço diante de marcas europeias tradicionais.
A participação cumulativa das marcas estrangeiras no mercado chinês caiu para cerca de 30 % em 2025, com as marcas locais chegando a quase 70 % do total, pressionando concessionárias e modelos importados.
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