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Entenda os três pilares de rejeição ao governo Lula que animam a oposição

Pesquisa RealTime Big Data mostra um aumento da desaprovação do governo Lula neste início de 2026

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • A desaprovação do governo Lula aumentou no início de 2026, com desafios econômicos impactando os brasileiros.
  • A falta de dinheiro e a quebra de expectativas em relação à renda tem gerado descontentamento entre os eleitores.
  • A relação do governo com a população evangélica se deteriorou após um desfile carnavalesco que ofendeu essa fé, resultando em maior rejeição.
  • Flávio Bolsonaro se destaca como a principal alternativa oposicionista, beneficiando-se do alto índice de rejeição ao governo Lula.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

Governo do presidente Lula apresenta altos índices de rejeição REUTERS/Mateus Bonomi — 11.02.2026

Os últimos dados revelados pela pesquisa RealTime Big Data, encomendada pela RECORD, mostram um aumento da desaprovação do governo Lula neste início de 2026.

O tracking diário divulgado pelo instituto já demonstrava essa tendência de impopularidade crescente desde a operação comandada pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, contra as facções criminosas, que pôs fim a uma leve recuperação medida pela reversão das tarifas impostas pelo governo Donald Trump, em que Lula saiu com a pecha de ter solucionado diplomaticamente a questão.


No entanto, o início de ano é sempre desafiador para o brasileiro, principalmente pelos altos custos de impostos a serem pagos e o efeito das férias, que diminui a circulação de trabalhos e ganhos financeiros, ainda mais para uma população que está em quase sua maioria complementando renda na informalidade.

Com os ânimos em baixa, o brasileiro se apega a outros temas para inclusive referendar o seu desagrado com o governo vigente.


Falta de dinheiro

Tema central na aprovação de governos, a questão da renda e da capacidade de poder de compra tem sido o maior problema para Lula.

Uma das premissas de voto para quem o escolheu era a lógica de que, com Lula, a vida poderia voltar a patamares de quando ele foi presidente no início do século. Essa quebra de expectativa fez com que o seu eleitor se desanimasse.


Os dados oficiais do governo, por mais indicadores positivos que possam ter, estão muito longe da realidade vivida pela população. A ideia de pleno emprego contrasta com uma sociedade que não é mais celetista.

Essa falta de senso tem revelado para o governo que todas as medidas que foram pensadas para essa categoria não surtiram o efeito imaginado em grande escala.


O empréstimo do FGTS, a isenção do imposto de renda e a discussão da jornada de trabalho, reduzindo a escala 6x1, impactam prioritariamente essa parcela da população, que, pós-pandemia e reforma trabalhista, diminui sobremaneira de tamanho.

Os aumentos de impostos, quase 25 medidas nesse sentido, sejam os créditos tributários, o PIS/Cofins, o IPI, limitação do JCP, a popular Taxa das Blusinhas, dão ainda mais a sensação de um governo que retira dinheiro da população, indo na contramão da lógica da bonança propagada nas eleições e metaforizada pela volta da “cervejinha e da picanha.”

O eleitor anti-corrupção

Desde o melancólico fim da Operação Lava Jato, um eleitor que se mobiliza pela temática corrupção parece ter ficado órfão. A expectativa de limpeza ética propagada pela operação, que teve como ícone o, hoje, senador Sérgio Moro, foi por água abaixo, fundamentalmente com a simbologia da volta de Lula à presidência da República.

O antagonismo Moro e Lula foi, do ponto de vista da expressão popular, o enredo da atuação lavajatista, e ter visto a anulação da condenação de Lula e sua retomada triunfal de poder criou um sentimento de derrota nessa fatia do eleitorado.

Essa vitória de Lula pareceu para esse público uma vitória de algo que é maior que a personalização do embate, mas a ideia de que há uma força batizada de sistema, que não permite mudanças estruturais no país.

O bolsonarismo se apegou a esse dualismo para sobreviver nas narrativas e ser o bloco anti-sistema do Brasil. Muitos eleitores em pesquisas qualitativas reforçam a tese de que, se Bolsonaro não teve maior sucesso em sua gestão, esse fato se deveu a um sistema que não permitia que ele governasse.

Com o protagonismo do Supremo Tribunal Federal e seu papel de ordenador desse sistema, o órgão virou a cara e a cabeça desse inimigo poderoso e oculto que ditaria as normas da República.

O caso Master, pela simbologia de envolver diretamente ministros do STF, empolga parte do eleitorado que vê uma nova oportunidade de depuração no país.

É fundamental lembrar que a pauta corrupção ganha contornos mais severos em momentos de crise econômica. O Mensalão, por exemplo, não foi capaz de criar problemas mais graves para Lula, justamente porque a economia em 2005 andava num ritmo de crescimento e chegava o dinheiro na ponta, melhorando a vida das pessoas.

Embate religioso

A grande mudança sociológica brasileira das últimas décadas é o crescimento vertiginoso da população evangélica.

De maior potência católica do mundo, o Brasil caminha para ser majoritariamente protestante. Essa mudança estrutural se dá principalmente na classe C2, que está localizada na periferia dos grandes centros urbanos.

A proliferação de diferentes denominações evangélicas é sentida tanto visualmente como de modo comportamental.

Um estudo comandado pela jornalista Anna Virginia Ballousier, relatado em seu livro O Púlpito — Fé, Poder e o Brasil dos Evangélicos, mostra uma mudança de cunho linguístico nesse naco popular, com a quase extinção de expressões católicas como a interjeição: “Minha Nossa Senhora” e a substituição por expressões como “Tá Amarrado”, dentre outras.

A relação do governo Lula com essa camada do eleitorado tem sido cada vez mais difícil. Mesmo com algumas tentativas da primeira-dama em fazer círculos de oração que se assemelham às células, essa aproximação tem cheiro de forçar a barra.

O episódio do desfile carnavalesco que homenageou o presidente Lula, na Marquês de Sapucaí, com alegorias que ridicularizavam a fé evangélica, gerou um ruído ainda maior entre esse público e o eleitorado.

Nas sondagens diárias realizadas pelo RealTime Big Data, o aumento de rejeição ao governo entre os evangélicos e a classe C2 saltou em quase 8 pontos percentuais, após o problemático desfile, que acabou de maneira vexatória para a Escola de Samba, rebaixada no Carnaval carioca.

A responsabilidade pela idealização da homenagem recaiu sobre a primeira-dama, que esteve com a diretoria dos Acadêmicos de Niterói nos preparativos do enredo.

As redes sociais foram inundadas por fotos que relembravam uma cena em que Janja da Silva mostrava uma estante de um ambiente que parecia sua casa, com um altar repleto de imagens de orixás.

Esse embate religioso tem penetração nas periferias das cidades e impactou negativamente na avaliação do governo Lula.

Flávio Bolsonaro é beneficiado

Com a dinâmica plebiscitária que domina uma campanha à reeleição, quando o governo posto sofre alta rejeição, o oposto imediato é quem costuma se beneficiar.

A titubeação de uma alternativa oposicionista com dimensão tem tornado Flávio Bolsonaro o único capaz de enfrentar de igual para igual o presidente Lula.

Sua postura assertiva em tentar dialogar com eleitores menos radicalizados tem ajudado a angariar novos apoios e feito com que, em menos de quatro meses, saltasse de 19% para 32% nas intenções de voto, quase que esvaziando a chance de uma outra candidatura.

Para Lula, a rejeição ao bolsonarismo ainda o anima por poder fazer um enfrentamento negativo contra Flávio. A polarização gera um efeito gangorra na eleição em que um lado depende do outro para subir.

Como Lula ocupa hoje a posição de base do equipamento, Flávio Bolsonaro é impulsionado para cima, sendo consolidado cada vez mais como a alternativa principal oposicionista.

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