Os órfãos de Simone Tebet
Candidata em 2022 com um arco interessante de alianças, Simone Tebet mudou de partido, aliou-se a esquerda e postulará uma vaga ao Senado por São Paulo, em casa nova, no PSB
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Das poucas surpresas na eleição polarizada de 2022, a candidatura de Simone Tebet apresentou um perfil bastante elogiado da grande crítica por apresentar caminhos mais propositivos a um Brasil imerso na guerra pessoal entre dois líderes.
Simone Tebet conseguiu agradar parte da elite brasileira, tendo votações extremamente relevantes em algumas porções de concentração de classe A e B1, como o reduto eleitoral dos endinheirados paulistanos, o Jardim Paulista, onde atingiu 15,6% dos votos — o triplo do seu pior desempenho na cidade, o bairro de Cidade Tiradentes, no extremo da zona leste.
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Os seus apoiadores daquela eleição, todavia, vivem um momento no divã. O MDB (Movimento Democrático Brasileiro), seu partido, que já não tinha qualquer unidade sobre sua candidatura de outrora, segue no mesmo caminho. Dividido, o partido da redemocratização tem apoiadores ferrenhos do lulismo e do bolsonarismo, e provavelmente seguirá sem uma decisão de apoio nacional e sem apresentar candidatura própria, como nas última duas eleições, em que lançou Henrique Meirelles, 2018, e Tebet, 2022.
Já a Federação PSDB-Cidadania, que quase acabou, mas depois de idas e vindas na justiça, acabou por se manter, estava em campanha aberta para que Eduardo Leite fosse o nome escolhido pelo PSD.
Roberto Freire, líder histórico do Cidadania, era um dos maiores apoiadores da ideia do jovem governador gaúcho concorrer ao Planalto.
Com a escolha de Gilberto Kassab por Ronaldo Caiado, a situação mudou completamente. A disputa em Goiás faz com que a Federação nem pense na possibilidade de caminhar com o antigo líder da UDR.
Marconi Perillo, ex-governador goiano, nutre o sonho longínquo de retornar ao Palácio das Esmeraldas, de onde saiu com muitos problemas, enxovalhado por denúncias de corrupção, que culminaram em grandes derrotas em sua vitoriosa carreira. Marconi teve apenas 7,55% dos votos ao Senado, em 2018, quando deixou a cadeira de governador, terminando o pleito em quinto lugar e depois foi novamente derrotado para o mesmo cargo, em 2022.
Agora, as pesquisas já apontam grande favoritismo de Daniel Viela, que até há pouco era o vice de Ronaldo Caiado, que deixou a administração na casa dos 80% de aprovação popular.
No Nordeste, onde o PSDB tenta ressurgir com força, dois estados chamam a atenção e podem definir o jogo nacional para os tucanos. No Ceará, Ciro Gomes, que enfrentou Tebet, em 2022, deve ser confirmado candidato ao Palácio da Abolição. Seu arco de alianças para enfrentar o PT, tem a presença do bolsonarismo raiz.
André Fernandes, que foi candidato a prefeito de Fortaleza, e uma espécie de Nikolas Ferreira do Nordeste, declarou apoio ao primogênito dos irmãos Ferreira Gomes. Em Alagoas, JHC, pregresso do PL, pode ser candidato ao Senado, junto dos Calheiros, da banda emedebista que apoia Lula.
Dentro do Cidadania, sobraram apenas dois deputados federais e ambos de São Paulo. Arnaldo Jardim, muito ligado ao agronegócio, tem reiterado que não deverá buscar reeleição, após, 5 mandatos na Câmara Federal.
Alex Manente, presidente nacional da legenda, foi candidato a prefeito de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, em 2024, com o apoio de Jair Bolsonaro. Derrotado pela quarta vez, Manente tem se aproximado do atual prefeito Marcelo Lima, que assumiu a presidência estadual do Podemos.
Com a chegada de 14 novos deputados federais na janela partidária de março/abril, o Podemos tem crescido sob o comando de Renata Abreu. O partido que fechou o arco de alianças de Tebet, em 22, filiou parlamentares das mais variadas matizes políticas.
O ex-ministro de Dilma Rousseff, Antônio Carlos Rodrigues, egresso do PL, os delegados Bruno Lima e Palumbo, e até o cantor Frank Aguiar, que já foi vice-prefeito do petista Luiz Marinho, em São Bernardo, são alguns dos nomes que devem se apresentar pelo partido para a disputa de federal.
Com força política, Renata Abreu tem negociado o apoio do partido a Flavio Bolsonaro, com a promessa de ocupar uma vaga entre os senadores da chapa de Tarcísio de Freitas. Com a briga entre os bolsonaristas raiz, Renata Abreu seria uma solução pragmática e com substância eleitoral para dar capilaridade ao projeto do PL, no estado mais importante do país. Renata, inclusive, seria adversária de Tebet, com quem caminhou junto na última disputa presidencial.
MDB, PSDB, Cidadania e Podemos seguem sendo um centro, que oscila nas relações com a direita e a esquerda. Juntos somaram 2 minutos e 20 segundos nas eleições de 2022, dando o terceiro maior tempo eleitoral entre os candidatos.
Uma federação mais ampla que envolvesse os quatro partidos já foi aventada, chamada de Centro Democrático Brasileiro. No entanto, as peculiaridades regionais nunca permitiram o avanço dessa proposição. Com história e representatividade, os órfãos de Tebet, por mais perdidos que possam parecer, ainda tem a capacidade de agregar valor a qualquer candidatura que venham a apoiar.
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