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Canadá reforça fiscalização migratória, mas mantém oportunidades para trabalhadores; entenda o cenário em 2026

País aumenta controle sobre irregularidades enquanto acelera a residência permanente de até 33 mil trabalhadores temporários e mantém a imigração econômica como prioridade

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Canadá muda estratégia de imigração em 2026. Foto de Magnific

O Canadá atravessa uma nova fase de sua política migratória em 2026. De um lado, o país reforça a fiscalização das fronteiras, combate irregularidades e reduz gradualmente a entrada de novos residentes temporários. Do outro, continua utilizando a imigração para atender necessidades econômicas e procura transformar parte dos estrangeiros que já trabalham legalmente no país em residentes permanentes. Para brasileiros que pretendem visitar, estudar, trabalhar ou construir uma nova vida no Canadá, compreender essa mudança de estratégia tornou-se fundamental.

O cenário não pode ser resumido simplesmente como um “fechamento das portas”. O que está acontecendo é uma reorganização da política migratória canadense, com maior controle da imigração temporária e uma seleção mais direcionada de profissionais e candidatos à residência permanente.


Fiscalização contra imigração irregular ganha destaque

Na sexta-feira, 21 de agosto de 2026, a Canada Border Services Agency (CBSA), agência responsável pelo controle das fronteiras canadenses, divulgou uma nova ação relacionada ao combate à imigração irregular. Segundo a agência, uma investigação resultou em acusações contra um indivíduo suspeito de facilitar entradas ilegais no Canadá.

O episódio reforça uma tendência que vem ganhando importância na política migratória canadense: aumentar a fiscalização e combater esquemas que prometem caminhos irregulares de entrada ou permanência no país. Para brasileiros interessados em viajar ou imigrar, o caso também serve como alerta sobre ofertas de intermediários que prometem entrada garantida, emprego ou regularização migratória fora dos procedimentos oficiais.


O controle não se limita ao trabalhador estrangeiro. Empresas canadenses que contratam trabalhadores temporários também estão sujeitas a inspeções para verificar o cumprimento das condições previstas nos programas migratórios. Empregadores considerados irregulares podem receber penalidades financeiras e, dependendo da infração, ficar impedidos de contratar trabalhadores estrangeiros temporários.

O governo canadense mantém inclusive uma lista pública de empregadores considerados não conformes. Para brasileiros que recebem propostas profissionais no Canadá, isso acrescenta uma etapa importante ao planejamento: verificar a empresa, compreender as condições do contrato e identificar qual autorização permitirá legalmente o exercício daquela atividade. Uma oferta de emprego, por si só, não significa visto aprovado nem residência permanente garantida.


Canadá quer transformar até 33 mil trabalhadores em residentes permanentes

Ao mesmo tempo em que reforça a fiscalização, o governo canadense prepara uma importante medida para estrangeiros que já vivem e trabalham legalmente no país. O Canadá anunciou que pretende acelerar a transição para residência permanente de até 33 mil trabalhadores temporários durante 2026 e 2027.

Segundo o governo, a iniciativa é voltada a trabalhadores com autorização válida que já estejam estabelecidos no Canadá, tenham criado vínculos com suas comunidades e possuam habilidades consideradas necessárias para a economia. Há também atenção às necessidades de comunidades rurais e regiões que enfrentam escassez de mão de obra.


A previsão oficial é realizar pelo menos 20 mil dessas admissões em 2026, com o restante previsto para 2027. A medida é particularmente relevante porque demonstra uma mudança de lógica: em vez de depender exclusivamente da chegada de novos trabalhadores temporários, o Canadá também procura manter pessoas que já estão integradas ao mercado de trabalho e à sociedade.

Imigração temporária será menor

O movimento ocorre enquanto o Canadá tenta reduzir o tamanho de sua população de residentes temporários. No Plano de Níveis de Imigração 2026–2028, o governo estabeleceu uma meta de 385 mil novas chegadas de residentes temporários em 2026, considerando os grupos incluídos no planejamento. Desse total, a previsão é de aproximadamente 230 mil trabalhadores temporários e 155 mil estudantes internacionais.

Para 2027 e 2028, a meta total prevista é de 370 mil novas chegadas anuais. A estratégia faz parte do objetivo governamental de reduzir a proporção de residentes temporários para menos de 5% da população canadense até o final de 2027.

Isso não significa que o Canadá tenha deixado de receber estudantes ou trabalhadores estrangeiros. Significa que o número de novas entradas temporárias será mais controlado.

Residência permanente continua sendo prioridade

Apesar da redução planejada da imigração temporária, o Canadá continua mantendo números expressivos de imigração permanente. O Plano de Níveis 2026–2028 prevê 380 mil admissões de residentes permanentes por ano durante os três anos, com a imigração econômica permanecendo como um dos principais componentes desse planejamento.

Essa diferença é importante para entender a estratégia canadense. O país busca diminuir a dependência do crescimento acelerado da população temporária enquanto continua selecionando estrangeiros para permanecer definitivamente no Canadá.

Express Entry continua sendo uma das principais portas

Para profissionais qualificados, o Express Entry permanece como uma das principais ferramentas federais de seleção para residência permanente. O sistema administra candidaturas relacionadas a três programas: Canadian Experience Class (Classe de Experiência Canadense), Federal Skilled Worker Program (Programa Federal de Trabalhadores Qualificados) e Federal Skilled Trades Program (Programa Federal de Profissionais de Ofícios Especializados).

Os candidatos elegíveis recebem uma pontuação pelo Comprehensive Ranking System (CRS), sistema de classificação que considera diferentes fatores, incluindo idade, escolaridade, experiência profissional e domínio dos idiomas oficiais.

O governo também realiza rodadas específicas de seleção por categorias, permitindo direcionar convites de acordo com prioridades econômicas e necessidades do mercado de trabalho. Por isso, simplesmente criar um perfil no Express Entry não representa garantia de convite ou residência permanente.

Profissão e idioma podem mudar a estratégia

O Canadá utiliza atualmente categorias específicas dentro do Express Entry para selecionar determinados perfis profissionais e linguísticos. Em 2026, as categorias anunciadas pelo governo incluem candidatos com forte proficiência em francês e profissionais de áreas como saúde e serviços sociais, educação, STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática), profissões técnicas e transportes, além de algumas categorias que exigem experiência de trabalho canadense.

A existência dessas categorias mostra como o planejamento migratório está cada vez mais relacionado às necessidades econômicas do país. Para o brasileiro, isso significa que profissão, experiência, formação e domínio de inglês ou francês podem ter peso decisivo na estratégia de imigração.

O francês merece atenção especial. O governo canadense continua buscando aumentar a imigração francófona fora da província de Quebec. Além das seleções específicas dentro do Express Entry, o planejamento migratório prevê crescimento gradual das metas de imigração francófona fora de Quebec nos próximos anos. Para brasileiros que dominam o idioma, o francês pode representar um diferencial relevante na construção de uma estratégia migratória.

Turista pode trabalhar no Canadá?

Esse é um dos pontos que mais geram dúvidas. Entrar no Canadá como turista não significa estar autorizado a trabalhar. Na maioria das situações, o estrangeiro precisa possuir uma autorização de trabalho adequada, o work permit (permissão de trabalho), antes de exercer atividade profissional.

Também é importante lembrar que a política temporária que permitia a determinados visitantes solicitar uma autorização de trabalho de dentro do Canadá foi encerrada antecipadamente em 28 de agosto de 2024. Portanto, o brasileiro deve desconfiar de promessas de que basta viajar como turista, encontrar um emprego e automaticamente transformar sua situação em autorização de trabalho.

Existem exceções e situações migratórias específicas, mas elas precisam ser analisadas individualmente.

Oferta de emprego não garante residência permanente

Outro ponto importante mudou nos últimos anos. Desde 25 de março de 2025, o Canadá deixou de conceder os antigos pontos adicionais do CRS por ofertas de emprego no Express Entry.

Isso não significa que uma oferta de trabalho tenha perdido toda a importância. Ela ainda pode ser relevante para determinadas autorizações, programas e estratégias migratórias. Mas não é correto afirmar que conseguir uma oferta de emprego automaticamente garante residência permanente ou os antigos pontos extras no CRS.

Start-Up Visa deixou de receber novas solicitações

Empreendedores também precisam observar uma mudança importante de 2026. O Start-Up Visa Program (Programa de Visto para Startups) deixou de receber novas solicitações em 30 de junho de 2026, salvo situações específicas previstas pelas regras de transição do programa.

O governo continua processando processos elegíveis apresentados anteriormente. A mudança afeta brasileiros que consideravam o empreendedorismo como uma das principais vias para obter residência permanente no Canadá.

E para quem quer apenas visitar o Canadá?

Para turismo, as regras são completamente diferentes das aplicáveis a trabalho ou imigração. Alguns brasileiros podem ser elegíveis para a eTA — Electronic Travel Authorization (Autorização Eletrônica de Viagem) em vez do visto tradicional, desde que atendam aos requisitos estabelecidos pelo governo canadense.

Entre as condições está possuir atualmente um visto americano de não imigrante válido ou ter tido um visto canadense de visitante nos últimos dez anos. Essa possibilidade se aplica ao brasileiro elegível que viaja ao Canadá por via aérea. Quem não atende aos requisitos deve solicitar o visto canadense correspondente.

E existe outro detalhe fundamental: possuir visto ou eTA não garante automaticamente a entrada. A decisão final sobre a admissão do viajante cabe às autoridades de fronteira canadenses.

Canadá está fechando as portas para brasileiros?

Os dados e as políticas atuais não sustentam uma resposta tão simples. O Canadá está reduzindo determinadas entradas temporárias, reforçando a fiscalização e direcionando melhor sua imigração.

Ao mesmo tempo, mantém 380 mil admissões anuais planejadas de residentes permanentes entre 2026 e 2028 e criou uma iniciativa específica para acelerar a residência de até 33 mil trabalhadores temporários já estabelecidos no país.

O cenário, portanto, é muito mais de seleção e reorganização do que de fechamento absoluto.

Para brasileiros interessados no Canadá, o planejamento migratório torna-se ainda mais importante. Turismo, estudo, trabalho temporário e residência permanente possuem regras distintas. Antes de comprar uma passagem, aceitar uma proposta profissional ou iniciar um projeto de mudança, é necessário verificar qual categoria corresponde ao verdadeiro objetivo da viagem.

Também é fundamental consultar informações oficiais e desconfiar de qualquer pessoa ou empresa que prometa visto, emprego ou residência permanente garantidos.

O Canadá continua precisando da imigração. Mas o cenário de 2026 deixa uma mensagem clara: as oportunidades continuam existindo, porém estão cada vez mais direcionadas para determinados perfis, competências e necessidades econômicas.

Para o brasileiro que deseja construir uma vida no país, conhecer essas mudanças pode fazer a diferença entre simplesmente sonhar com o Canadá e desenvolver um projeto migratório realmente viável.

As regras de imigração podem sofrer alterações. Antes de viajar, aceitar uma oferta de emprego ou iniciar um processo migratório, consulte sempre as informações oficiais e atualizadas do governo canadense.

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