Aplauso constrangido a Zelenski mantém Ucrânia sob bombas aéreas
Presidente da Ucrânia fala ao Congresso americano, vence batalha midiática, mas socorro de aliados não virá
Christina Lemos|Do R7

O aplauso unânime e constrangido do Congresso Americano perante os olhos do mundo confirma a vitória midiática do presidente ucraniano Volodmir Zelenski na defesa de seu país e dos valores que passou a encarnar, mas não obtém o resultado prático almejado: o de reação armada de aliados contra os ataques aéreos russos. Do lado oposto à consternação mundial está o poderio nuclear de Moscou e o medo da inevitável ampliação da guerra, ora regional, para um conflito global.
A coragem cívica de Zelenski, aliada a uma militância digital bem-sucedida, projetaram-no de forma inédita e meterórica à posição de liderança política mundial. O homem extenuado e abatido que enfrenta o gélido e inalcançável Vladimir Putin é a imagem pungente do seu povo, do qual se tornou um porta-voz convincente, com os parcos recursos que tem à mão.
O desempenho "heróico" tem funcionado como arma moral contra a agressão à soberania de seu país. O gerenciamento da guerra, porém, se dá em outra esfera: na prática, os operadores e diplomatas de Zelenski mostram que vão evoluir para atender às demandas russas de total afastamento da Ucrânia do polo de influência da Otan, dos Estados Unidos e da União Europeia.
O impasse diplomático que expõe a população da Ucrânia ao flagelo da guerra não diz respeito somente à Ucrânia — como Zelenski é hábil em demonstrar. A dúvida que prevalece envolve as demandas reais de Putin, que em 21 dias devolveu a ordem mundial à velha e perigosa situação da bipolaridade e do extremismo.
Entre as muitas perguntas aos atores mundiais que devem uma resposta a Zelenski está: a rendição completa ou parcial da Ucrânia aplacará o avanço de Moscou? Enquanto ela permanece sem resposta, os ucranianos continuam sendo imolados diariamente em nome de uma paz mundial provisória e, possivelmente, irrisória.















