Christina Lemos Após crise institucional, Planalto investe em agenda positiva

Após crise institucional, Planalto investe em agenda positiva

Pico dos conflitos completa uma semana e armistício, proposto por carta do presidente Bolsonaro à Nação há seis dias, ainda vigora, apesar de devolução da Medida Provisória das fake-news

O presidente Bolsonaro e o senador Rodrigo Pacheco: agenda light tenta distensionar relações

O presidente Bolsonaro e o senador Rodrigo Pacheco: agenda light tenta distensionar relações

Evaristo Sá/AFP - 14.09.2021

Apesar do ceticismo de setores da política, a proposta de distensão das relações institucionais e o compromisso de respeito à harmonia entre os poderes contidos na carta à Nação divulgada pelo presidente Bolsonaro já vigora há quase uma semana. No intervalo, o Planalto tem investido numa espécie de “agenda positiva” de eventos e iniciativas que alcançam o orçamento, num esforço para reverter o desgaste político provocado pelos choques entre Bolsonaro e o STF.

O pacote de iniciativas para desanuviar o ambiente e normalizar as relações entre os agentes públicos incluiu a entrega do prêmio Marechal Rondon, durante solenidade no Planalto nesta terça, à qual compareceu, como representante do STF, o ministro Dias Toffoli, visto na Corte como um dos principais interlocutores do governo no Judiciário.  A presença do magistrado buscaria atestar que o governo mantém relações e diálogo com o Tribunal.

Em discurso, o presidente Bolsonaro buscou adotar tom ameno e bem humorado, inclusive envolvendo a polêmica medida provisória sobre regras para bloqueio de contas nas redes sociais. Na mesma tarde a MP acabou devolvida pelo presidente do senado, Rodrigo Pacheco (DEM/MG), numa iniciativa incomum do poder Legislativo. Cauteloso, para esclarecer suas razões e evitar ressuscitar a crise, o Pacheco foi à tribuna da Casa e apontou razões técnicas e conceituais para a devolução do texto.

No Congresso, aliados tentam ampliar a abrangência da nova versão do Bolsa Família, batizada de Auxílio Brasil. A verba prevista para o programa é de R$ 34,7 bilhões. O valor não prevê a inclusão das famílias que estão na fila de espera para receber o benefício, hoje, de em média R$ 190. O governo gostaria que este valor alcançasse R$ 300, o que depende de recursos que ainda não existem.

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