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Bolsonaro muda tom e avança sobre votos de centro

Presidente se movimenta para fora no núcleo ideológico de apoiadores, modera declarações e abandona ataques para minar terceira via e romper barreira dos 30% de fiéis

Christina Lemos|Do R7

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Completa hoje dez dias a guinada de estilo e de estratégia, inaugurada pelo presidente Bolsonaro, desde que deixou a internação hospitalar em São Paulo. O esgotamento físico coincidiu com a exaustão da estratégia de confronto que terminou por colher a rejeição da cúpula dos demais poderes, numa sinalização de que o limite havia sido alcançado.

Desde então, Bolsonaro busca o caminho de volta. É notável, na mudança de rotina do presidente, a substituição dos encontros cotidianos com apoiares, por entrevistas on line com jornalistas “amigáveis”. Nestas ocasiões, trocou os ataques e até xingamentos a autoridades e políticos, por um esforço por tentar esclarecer suas posições.


Com Ciro Nogueira na Casa Civil, Bolsonaro consolida afastamento da ala ideológica nas decisões do governo
Com Ciro Nogueira na Casa Civil, Bolsonaro consolida afastamento da ala ideológica nas decisões do governo

A mudança na comunicação vem casada com uma renovação do núcleo de influenciadores. Ao partilhar um cargo central com um dos caciques do Centrão, Ciro Nogueira, Bolsonaro consolida o movimento que afastou das decisões de governo a influência marcante da ala ideológica chefiada pelos filhos, e delimita o suporte oferecido pelos militares.

Com o ensaio de migração para o centro do espectro político, o presidente busca captar a intenção de voto dos eleitores que rejeitam Lula e estão em busca de uma saída entre as opções da chamada terceira via. O campo segue congestionado por nomes que se destacaram justamente nos embates com Bolsonaro, e não com Lula. A lista extensa inclui agora os senadores Simone Tebet (MDB/MS) e Rodrigo Pacheco (DEM/MG) e o apresentador de televisão José Luiz Datena.


Diante de tamanho “ataque especulativo” a seu campo ideológico de ação e às franjas de seu curral eleitoral, a iniciativa de Bolsonaro pretende frear este movimento e ampliar suas chances na disputa que, neste momento, sinaliza para a vitória do petista em primeiro turno, segundo pesquisas.

A nova postura também viabiliza acordos futuros, num cenário de campanha. Bolsonaro sabe que precisa das legendas do Centrão para terminar seu mandato, mas apenas com elas dificilmente alcançará a reeleição.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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