Christina Lemos General dá recados em carta de demissão e de despedida

General dá recados em carta de demissão e de despedida

“Saio na certeza de missão cumprida”, declara Fernando Azevedo. Saída do Ministro da Defesa pegou de surpresa até auxiliares mais próximos. Baixa inesperada foi recebida com preocupação

A demissão inesperada do ministro da Defesa, general Fernando Azevedo, levou preocupação ao meio político e até a esferas militares nesta segunda-feira, quando todos esperavam o anúncio do substituto de outro membro do primeiro escalão de governo: o do chanceler Ernesto Araújo, que teria anunciado a auxiliares sua renúncia ao Ministério das Relações Exteriores, após longo processo de desgaste. Os militares são vistos como força estabilizadora do mandato de Bolsonaro e o desembarque do ministro da Defesa, que congrega as três forças sob seu comando, chegou a causar surpresa e gerou especulação.

A princípio, cogitou-se que Fernando Azevedo seria remanejado para outro posto, mas a carta de demissão do general não deixa margem para a manobra. “Saio na certeza da missão cumprida”, escreve o militar, após dirigir-se aos comandantes das três forças: “que nunca mediram esforços para atender às necessidades e emergências da população brasileira”, escreveu. Segundo a assessoria, não haverá nova manifestação do agora ex-ministro, cuja saída teria sido acertada em reunião rápida com o presidente Bolsonaro no início da tarde. 

A expressão "nunca mediram esforços", adotada por Azevedo na carta, seria um indicativo de que os comandantes das três forças se sentem no cumprimento pleno de sua missão, sem necessitar de demonstrações adicionais de apoio ao governo federal. O blog apurou que o atrelamento automático não está nos planos dos militares da ativa e que a postura do presidente na gestão da pandemia desagradou alguns setores. 

As primeiras informações sobre a demissão dão conta de que o presidente Bolsonaro teria se irritado com entrevista do general Paulo Sérgio, responsável pela área de Saúde do Exército, em que o dirigente militar prevê a chegada de uma “terceira onda de Covid-19”. No correr da conversa, fica claro que o general seguiu à risca as recomendações da OMS, inclusive o distanciamento social, e obteve resultados importantes na preservação de vidas.

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