Lição da crise: ruim com sindicatos, pior sem eles
Ausência de líderes sindicais representativos colaborou para o cenário de pré-colapso
Christina Lemos|Do R7

A ausência de líderes sindicais e de entidades de classe “verticalizadas”, nos moldes tradicionais, dificultou o diálogo e a aplicação de medidas para encerrar a pior crise já enfrentada pelo governo Temer. A situação, reconhecem integrantes da cúpula do governo, colaborou para instalar um cenário de descontrole em todo o território, configurando “risco de segurança nacional”. Ministros do gabinete de crise montado pelo governo admitem publicamente que mesmo atendendo a praticamente todas as demandas formais do movimento, após dez dias não haviam conseguido debelar a paralisação.
“Estamos diante de um sindicalismo de rede” - declara o ministro de Segurança Pública, Raul Jungmann, numa referência à capacidade de mobilização dos caminhoneiros com o simples uso de aplicativos de mensagem por celular. “Lideranças surgiram durante a própria realização dos protestos”, constata Jungmann, o que minou a representatividade dos líderes de entidades sentados à mesa de negociação com o governo.
O mesmo diagnóstico foi feito também pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, que comandou as diversas rodadas de negociação e chegou a considerar uma vitória o primeiro acordo, da quinta-feira, 24 de maio, após a assinatura de 9 de 11 entidades de caminhoneiros. Nos dias subsequentes, sem vencer a paralisação e com o desabastecimento beirando o colapso de diversos setores, o governo resolveu, em pleno domingo, 27, fazer uma “oferta pública” a todos os caminhoneiros, independente da posição das agremiações, acompanhada de um apelo emocional pelo fim do movimento. O próprio presidente Michel Teme se encarregou do anúncio, que propôs a redução de R$ 0,46 no diesel, entre outras medidas.
Volta da contribuição sindical obrigatória - O ministro do Supremo, Edson Fachin, sinalizou em despacho esta semana que pode restabelecer a contribuição sindical obrigatória, extinta na Reforma Trabalhista e tida como feita de encomenda para asfixiar o movimento sindical. Para Fachin, a medida é “desestabilizadora” de todo regime sindical”, ocasionando o “enfraquecimento dos direitos sociais, com a redução da capacidade de financiamento das entidades”. O ministro indica, no despacho, que pode decidir monocraticamente sobre o assunto e conceder medida cautelar. A questão deve ir a plenário em 28 de junho.















