'Mais um espetáculo', diz Wellington Dias sobre operação da PF

A suspeita é que houve desvios de recursos da Educação do Piauí por meio de pagamentos superfaturados em contratos de transporte escolar

Governador justifica modelo de contrato firmado

Governador justifica modelo de contrato firmado

Elza Fiúza/10.11.2009/ABr

O governo do Piauí, Wellington Dias (PT), chamou a operação da Polícia Federal (PF) desta segunda-feira (27) de "mais um espetáculo". 

A casa do governador e o gabinete da deputada federal Rejane Ribeiro de Sousa Dias (PT-PI), que também é primeira-dama, são alvos de buscas.

A suspeita é que houve desvios de recursos da Educação do Piauí por meio de pagamentos superfaturados em contratos de transporte escolar. Inicialmente, a apuração aponta para fraudes de R$ 50 milhões.

Segundo Wellington Dias, só nesta operação "já é o terceiro espetáculo". Ele explica que o processo vem de 2013. "Quando eu nem era governo, em contratos que seguia um padrão nacional, pagamento por quilômetro rodado. Quando a Rejane assumiu a Secretaria da Educação em 2015, tinha que começar as aulas em fevereiro, os contratos estavam vencendo e, com base em parecer técnico e na lei, considerando a necessidade de não prejudicar os alunos que precisavam de transporte escolar, foi renovado o contrato, dando tempo para nova licitação."

"Fizemos uma mudança que hoje é modelo para outros Estados e municípios, em que passamos a pagar por aluno transportado, como se paga uma passagem de ônibus", acrescentou.

"Estamos falando de um fato de 2013, com operação em 2020, quando a ex- secretária da Educação, hoje deputada federal, se prontificou a colaborar, por duas vezes e nos últimos meses se colocou à disposição para prestar depoimento, para repassar todo e quakquer documento ou equipamento que precisar. E foi dito que não era possível ela depor agora por que tinha  a pandemia e estavam suspensos os depoimentos."

Wellington Dias explica que as buscas ocorreram na Câmara e na casa onde hoje mora o filho do casal e sua família, "que nunca trabalharam para o Estado".

"Ele é médico e salvando vidas pegou coronavirus... o espetáculo está feito". 

"Acho eu que, infelizmente, muitos espetáculos ainda virão. Ainda bem que temos a lei de abuso de autoridade e estamos tratando com advogados sobre isto", afirmou o governador.

Em nota oficial, o governo do Piauí afirma repudiar a operação e que é preciso prudência para evitar acusações injustas. Leia a íntegra:

"O governador Wellington Dias repudia a forma como se deu a operação da Polícia Federal na manhã dessa segunda (27) em sua casa onde, atualmente, mora seu filho e família, que nunca tiveram nenhuma função no estado. Seu filho é médico e trabalha na linha de frente do combate ao coronavírus, e desde março o governador mantem distanciamento recomendado pelas instituições de saúde. O governador classifica a operação como mais um espetáculo e destaca que a vida toda ele e sua família sempre agiram respeitando as leis e as instituições.

Sobre a Operação Topic, o governador esclarece que as investigações são contra empresas e referentes a contratos do ano de 2013, quando ele não era governador do estado, portanto, não tem nenhuma relação com a investigação, bem como nenhum membro da sua família.

Uma operação nestes moldes se torna desproporcional e desnecessária já que estamos falando de um fato de 2013, anterior à sua gestão, e em um processo em que a ex-secretária da Educação, hoje deputada federal, prontificou-se a colaborar por duas vezes nos últimos meses, colocando-se à disposição para esclarecimentos, bem como para repassar todo e qualquer documento ou equipamento necessário, conforme registrado por e-mails.

O governador ressalta que o Estado é vítima e o maior interessado na resolução desta questão e irá trabalhar para que tudo seja plenamente esclarecido. Enfatiza-se que, infelizmente, muitos espetáculos ainda poderão acontecer, mas ressalta que existe a lei de abuso de autoridade para que casos como este não aconteçam indiscriminadamente.

Por fim, é necessário prudência para que ninguém seja acusado injustamente e nem incriminado sem o pleno direito de defesa".