Militares ficam de fora de discursos de Bolsonaro no Sete de Setembro
Presidente não usou a expressão “meu exército”, nem mencionou o fato de ser o chefe constitucional das Forças Armadas. Tema teria sido excluído após apelo por prudência
Christina Lemos|Do R7

Nos dois pronunciamentos a manifestantes, em Brasília e em São Paulo, o presidente Bolsonaro não fez menção ao apoio que recebe dos militares, nem a eventual uso das Forças Armadas para dar sustentação à conclusão de seu mandato, como fez em outras situações públicas. A escolha teria vindo depois de apelos de auxiliares militares próximos, que teriam convencido Bolsonaro a evitar a associação, para não estimular opositores que o acusam de preparar um golpe militar.
A expressão “o meu Exército” não foi usada pelo presidente, nem tampouco houve menção à participação de militares em seu governo. O ministro da Defesa, Braga Netto, no entanto, esteve presente ao lado de Bolsonaro em ocasiões formais, como no evento reservado no Palácio da Alvorada, e no sobrevôo de helicóptero aos pontos de manifestação em Brasília.
Bolsonaro não recuou de ataques aos ministros do STF, Alexandre de Moraes e Roberto Barroso, os quais mencionou nominalmente somente no discurso em São Paulo. Na ocasião, agravou ataques a membros da Suprema Corte, inclusive com xingamentos, como "canalha". E teria rompido acordo feito com parlamentares aliados ao voltar a insistir na implantação do voto impresso e auditável – tema rejeitado por votação pelo Congresso.
O presidente também declarou que vai se rebelar contra decisões tomadas pelo ministro Moraes, que vem decretando prisões de bolsonaristas que incitam a violência contra o Supremo e seus integrantes. "Pede pra sair Alexandre de Moraes. Esse presidente não vai mais respeitar suas decisões”, declarou, sendo ovacionado pelos manifestantes logo em seguida.















