Morte de operador de Vorcaro silencia arquivo vivo dos crimes
Luiz Phillipi Mourão, que teria se suicidado, segundo a PF de Minas, é o interlocutor de Vorcaro em diálogos que indicam coação, ameaças e fraudes
Christina Lemos|Do R7

A principal testemunha a comprovar parte importante dos supostos crimes de Daniel Vorcaro revelados hoje pela Polícia Federal está fora do caso.
Luiz Phillipi Mourão, segundo a polícia, tirou a própria vida, horas depois de ser preso, no rastro das novas diligências e ordens de prisão determinadas pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF, com prejuízo para a apuração.
Mourão, de acordo com a devassa na comunicação digital do ex-banqueiro, é o interlocutor de Vorcaro em diálogos em que ele ordena a prática de crimes como: coação, intimidação e agressão física a adversários, jornalistas e funcionários que o estariam ameaçando.
Os investigadores ainda não avançaram a ponto de verificar se as ordens foram cumpridas - o que seria apurado junto a Mourão.
O suposto operador de Vorcaro também seria responsável por violar arquivos digitais sigilosos de órgãos de investigação, como a Polícia Federal e até o FBI e a Interpol. Parte do conteúdo acessado teria sido utilizada pela defesa do ex-banqueiro. Entre as fraudes e invasões de dados, está a tentativa de acesso a contatos da namorada de Vorcaro. Para isso teria sido falsificada uma ordem judicial à Apple.
A morte de Mourão lança sobre o caso Master um traço ainda mais rumoroso e arrasta o episódio para a investigação penal, muito além da esfera do crime financeiro. Retira dos investigadores o elemento mais importante da vertente que apura os métodos de ação de Daniel Vorcaro: o depoimento de seu suposto operador, que agia para manter o chefe protegido de adversários e da Justiça, segundo indícios da polícia.
A percepção geral em Brasília e no meio jurídico é de que o desaparecimento desta potencial testemunha dificulta o esclarecimento dos dados levantados pelos investigadores, com eventual favorecimento do principal envolvido.
A polícia dispõe de enorme manancial de conteúdo digital do caso Master a ser periciado. Passariam de 100 os equipamentos eletrônicos apreendidos ligados ao inquérito - a maior parte ainda não acessada, em função dos mecanismos de proteção digital, senhas e criptografia. A expectativa é de ampliação do caso à medida que os dados sejam acessados.
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