Christina Lemos Na contra-mão do ódio, Bruno Covas acerta discurso e amplia vitória  

Na contra-mão do ódio, Bruno Covas acerta discurso e amplia vitória  

Prefeito de São Paulo fez campanha sem ataques e hostilidades. Ao contrário da maioria dos que confrontaram a esquerda com xingamentos, tucano ampliou a vitória prevista para o segundo turno, após pacto de não-agressão. 

Partiu do prefeito reeleito de São Paulo o comando ao seu time de campanha já desde o lançamento da candidatura à reeleição: não haveria trocas de ataques e acusações, nem respostas a provocações de adversários que levassem a disputa ao descaminho. Bruno Covas atravessou o primeiro turno cumprindo e fazendo cumprir à risca o prometido. 

Na virada para o segundo turno, quando tornou-se claro que seu adversário seria Guilherme Boulos, do PSOL - legenda conhecida até aqui pelo discurso duro contra adversários - aliados e integrantes do time de campanha duvidaram que seria possível evitar o confronto. Partiu do tucano a iniciativa de travar com o adversário um pacto de não-agressão, ao qual o professor Boulos aderiu, num cálculo político de que ambos ganhariam. 

O resultado da votação neste domingo acabou por premiar Covas com uma vitória mais ampla do que o previsto, demonstrando que sua estratégia e discurso agregaram votos do eleitorado conservador e de centro, sem que para isso fosse preciso descer ao xingamento, como se viu nos confrontos do Rio de Janeiro, Porto Alegre e Recife. 

São Paulo não esteve imune à campanha não-oficial, travada por meio de aplicativos de mensagens e lastreada em fake-news - que, tudo indica, afetaram mais o desempenho do candidato do PSOL. Em mais um gesto civilizatório, o tucano tratou de se afastar destas práticas no discurso da vitória, em que defendeu que "é possível fazer política sem ódio". Poucos minutos após consolidado o resultado, coube a Boulos telefonar ao agora ex-oponente cumprimentando-o pelo resultado. 

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