Na Fazenda, sai Meirelles dançarino e entra Guardia, atleta do remo
Se na condução da política econômica eles rezam pela mesma cartilha, no estilo de vida as diferenças são claras e já mudam a vida dos assessores
Christina Lemos|Christina Lemos

Se na condução da política econômica, Henrique Meirelles e Eduardo Guardia rezam pela mesma cartilha, no estilo de vida as diferenças são claras e já começam a mudar a vida dos assessores do gabinete mais tenso da Esplanada. A diferença de 20 anos que separa o ministro que sai do que acaba de assumir é estreita quando se trata de capacidade técnica. Já na rotina diária, tudo muda.
Antes do amanhecer, de terça a sexta, o ministro Guardia, 52 anos, pode ser visto se preparando para embarcar para algumas horas de remo em pleno Lago Paranoá — que circunda Brasília de norte a sul. O delgadíssimo barco da categoria mini skiff — a mais rápida e profissional do esporte — corta as águas velozmente, levando a bordo o atual comandante das finanças do país, com direito à vista privilegiada do Palácio da Alvorada. Antes das 9h da manhã o atleta já está de terno e gravata, cruzando a entrada privativa de ministro da Fazenda.
O esporte de Henrique Meirelles é bem outro. O ex-ministro — que agora tenta se levantar das rarefeitas intenções de voto, na casa do 1% — é exímio dançarino de salão. Engana-se quem imagina que seus 73 anos sejam empecilho para o goiano de Anápolis que fez fortuna como economista e banqueiro. Todo 31 de agosto — seu aniversário — é comemorado com festa-baile em salões nobres de Brasília ou São Paulo. Habitualmente, Meirelles e esposa costumam inaugurar o salão, com passos ensaiados e perfeitos, para espanto de quem só conhece o lado formal do ministro.
Meirelles também não economiza, nestas ocasiões. Por exemplo, se as instalações sanitárias do salão de festa contratado não estão em bom estado para receber a nata dos economistas e financistas do país — sem problema! O aniversariante manda trocar tudo: privadas, pias, azulejos, a toque de caixa.
Aliás, é com esta capacidade de se auto-financiar que o MDB conta, na pré-campanha. Meirelles estaria pronto a bancar com dinheiro do própria bolso sua corrida à Presidência. Especula-se que desembolsaria cerca de R$ 70 milhões. Mas, como o ex-ministro não rasga dinheiro, só abrirá os cofres se as pesquisas lhe derem alguma esperança de competir.















