PT: “Moro entrou na eleição” e tenta “bala de prata” contra Lula
Juiz titular da Lava Jato levantou o sigilo da delação premiada do ex-ministro da Fazenda de Lula, Antônio Palocci. Gleisi Hoffmann diz que “ação é política”
Christina Lemos|Do R7

A presidente do PT, Gleisi Hoffmann, protestou por meio de redes sociais contra a decisão do juiz Sérgio Moro, tomada a seis dias do primeiro turno, de suspender o sigilo sob trechos da delação do ex-ministro Antônio Palocci, que detalha a suposta participação do ex-presidente Lula em desvios na Petrobrás. “[Moro] não podia deixar de participar do processo eleitoral! A ação política é da sua natureza como juiz”, declara a senadora. “Vai tentar pela enésima vez destruir Lula. Tudo que consegue é a auto-destruição”, publicou.
A página do ex-presidente na internet também reage contra a iniciativa de Moro, classificada como “tentativa de bala de prata” contra Lula e aliados, “às vésperas da eleição”. E cita declarações de um dos procuradores da Lava Jato, Carlos Fernando Lima, que recusou a delação de Palocci por falta de provas. O acordo de delação foi celebrado pela Polícia Federal, depois da recusa do Ministério Público. “Demoramos meses negociando. Não tinha provas suficientes. Não tinha bons caminhos investigativos”, declarou Lima. “Acho que a PF fez esse acordo para provar que tinha poder de fazer”, acrescentou.
O advogado Cristiano Zanin Martins, da defesa de Lula, declara por nota que a conduta de Moro “reforça o caráter político” da condenação do ex-presidente e “tenta causar efeitos políticos para Lula e seus aliados”, numa referência indireta à campanha do petista Fernando Haddad, segundo colocado nas pesquisas de intenção de votos para a presidência da república. Para Martins, o próprio Moro reconhece que não poderá levar “tal depoimento em consideração no julgamento da ação penal”. O advogado também sustenta que a “hipótese acusatória foi destruída por provas constituídas nos autos, inclusive laudos periciais”.















