Salário mínimo, em julho, deveria ser de R$ 6.388, diz Dieese
Mais da metade dos brasileiros, 52%, tem renda mensal inferior a dois mínimos, fixado em R$1.212,00. Outros 30% vivem com menos de R$ 500 por mês, diz FGV
Christina Lemos|Do R7

Na segunda semana da campanha eleitoral, o nível de renda da população brasileira ainda não entrou no debate dos principais candidatos à Presidência. Mais da metade da população brasileira ganha até dois salários mínimos por mês — isto é, menos de R$ 2.500,00. O valor comprime drasticamente a capacidade de acesso de 52% dos brasileiros a bens básicos de consumo.
O salário mínimo atual, estipulado em R$ 1.212,00, é cinco vezes menor que o necessário para atender às necessidades do trabalhador fixadas pela Constituição, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Segundo cálculo dos pesquisadores, o "salário mínimo necesssário" em julho deveria ser de R$ 6.388,55.
O mínimo em vigor, fixado em janeiro deste ano, corresponde a um ganho de R$ 40,40 por dia e a R$ 5,51 por hora trabalhada.
Como metodologia de cálculo para fixar o valor do “salário mínimo necessário”, o Dieese considera a família de dois adultos e duas crianças e o custo da cesta básica em 27 capitais. A alimentação representa 35,71% das despesas das famílias, estima o Departamento. O salário mínimo nacionalmente unificado, de acordo com a lei, deveria ser “capaz de atender às necessidades vitais básicas do trabalhador e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo”, destaca o Dieese.
Outra camada da população está ainda abaixo desse patamar de renda. De acordo com o Mapa da Nova Pobreza, da Fundação Getulio Vargas, um amplo grupo da população brasileira tem renda muito inferior ao mínimo — vive com o equivalente a duas vezes e meia menos que o menor salário estipulado por lei. Esta camada equivale a quase 30% da população (29,6%), que tem renda per capita de R$ 497,00 mensais.
Esses cálculos mostram que quase 63 milhões de brasileiros sobreviveram com uma renda inferior a R$ 500 por mês em 2021. Os dados levantados pela FGV apontam para o maior índice de pobreza da série histórica, que começou a ser calculada em 2012.















