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STF está a um mês do maior teste de limites do Judiciário

Com Fachin na presidência e Moraes na vice, corte enfrentará julgamento de Bolsonaro sob pressão interna e externa

Christina Lemos|Do R7

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Ministro Edson Fachin em Sessão plenária do STF.
Fachin tomará posse em setembro Ton Molina/STF - 26.6.2025

O mês de setembro promete fixar um marco na história recente da suprema corte brasileira. Mergulhado numa arena de questionamentos constantes de suas decisões e atribuições e sujeito a inédita pressão internacional exercida pelo governo Trump, o tribunal passará no mesmo período pela troca da presidência e pelo início do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A situação é tida como o maior teste de resistência da instituição que comanda o Judiciário brasileiro. No lugar de Roberto Barroso, assume Edson Fachin, indicado por Dilma Rousseff há 10 anos, egresso da advocacia e especialista em direito civil, com forte ligação histórica com o PT. Terá como vice o principal alvo dos críticos internos e externos ao Supremo, o titular da ação penal contra Jair Bolsonaro, o ministro Alexandre de Moraes.

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O cenário mais provável é que a dupla se prepare para blindar o tribunal de pressões de ordem política e recuse qualquer recuo quanto ao processo que deve levar o ex-presidente à condenação. Sem excessos, mas em tom firme, o futuro presidente do STF tem marcado posição pública contra interferências no funcionamento da corte. E foi um dos que se posicionou quando da aplicação da Lei Magnitski contra Alexandre de Moraes, criticando o que chamou de “interferência indevida”.

Sem titubear e em resposta imediata ao relatório americano — que incluiu o Brasil entre nações com baixos indicadores de direitos humanos, por suposta perseguição e restrição à atuação de opositores —, enquanto o STF não se manifestou, Fachin novamente marcou posição pública.

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“Temos à nossa frente o dever de dar efetividade aos compromissos assumidos soberanamente pelo Brasil”, anunciou, já antecipando sua diretriz como presidente do STF e abordando diretamente a questão da soberania, foco central do debate político. E definiu estes compromissos como o “dever de respeitar, defender e proteger os direitos humanos em nossa região, integrando e harmonizando a legislação doméstica à internacional”.

Menos articulado e muito mais reservado do que Barroso, não é improvável que Fachin serre fileiras com Moraes, Dino e Gilmar, hoje o trio mais combativo no STF, para levar adiante as difíceis etapas do julgamento de Bolsonaro, que acontece no âmbito da primeira turma.

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Uma vez condenado, hipótese hoje dada como certa até mesmo por aliados do ex-presidente, a dosimetria da pena será o momento mais crítico da prova de fogo institucional a que o tribunal estará sujeito. Diante da gravidade das acusações, as regras apontam para regime fechado — isto é, Bolsonaro seguiria para prisão para cumprir pesada pena.

O ex-presidente completa hoje 10 dias em prisão domiciliar, numa espécie de contagem regressiva silenciosa para o julgamento no Supremo. As primeiras reações ao seu encarceramento levaram a um protesto de aliados debelado em cerca de 30 horas e que ocasionou o bloqueio dos plenários da Câmara e do Senado, sem maiores consequências nos dias subsequentes. Não houve paralisação de caminhoneiros, nem forte mobilização popular, como chegou-se a prever. Este não necessariamente é o cenário em caso de condenação após julgamento do mérito da ação por tentativa de golpe e do trânsito em julgado.

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O ministro Alexandre de Moraes mantém em suspenso já por 9 dias, sem exarar decisão, encaminhar ao pleno da primeira turma ou pedir parecer à Procuradoria-Geral da República o recurso da defesa de revogação da prisão domiciliar de Bolsonaro. O tempo corre a favor do ministro e permite avaliar o cenário de repercussões políticas tanto internas quanto externas, além de evitar elevar a temperatura acima do que a Corte poderá absorver.

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