Christina Lemos Vaga cobiçada: presidente da Petrobras tem salário de até R$ 260 mil

Vaga cobiçada: presidente da Petrobras tem salário de até R$ 260 mil

Executivo da maior estatal brasileira vale 6,5 ministros do STF e 230 petroleiros. Cargo acumula poder e prestígio superiores aos de vários ministérios

BBC BRASIL

A busca do novo presidente da Petrobras, que completa uma semana, envolve a disputa pelo mais poderoso cargo entre todas as estatais do país — superando até o de vários ministros de Estado, a julgar pelo orçamento e pelo poder de influência da empresa. A tarefa delicada de comandá-la justificaria um salário que pode variar dos R$ 200 mil aos R$ 260 mil, a depender dos adicionais de ocasião, a serem acrescidos ao vencimento do dirigente.

Após a renúncia de Adriano Pires à indicação presidencial, cujo conflito de interesses, além de afetar o próprio filho, projetava prejuízos para depois da saída do posto — já que um ex-presidente da Petrobras está sujeito a quarentena —, a busca se tornou mais complexa. O novo titular da estatal dificilmente permanecerá no posto por mais de oito meses, já que deve ser substituído pelo novo presidente da República, em janeiro de 2023, quando o Brasil estará mergulhado num contexto político diferente, seja qual for o eleito.

O atrativo salarial é apenas um dos fatores, no entanto, para o novo candidato à vaga de Silva e Luna. Ainda assim, o representante do acionista majoritário da empresa, que precisa ser submetido ao crivo da diretoria para assumir a função, está longe de ser considerado um servidor público. Considerando-se o teto salarial do funcionalismo, de R$ 39,3 mil, vencimento recebido pelos magistrados da Suprema Corte brasileira, um presidente da Petrobras vale 6,5 ministros do STF.

Segundo o Sindipetro, sindicato da categoria, o executivo no comando da superestatal recebe o equivalente aos vencimentos de 230 trabalhadores da Petrobras. O próprio Silva e Luna, que veio do comando da Itaipu para assumir a presidência da empresa em meio a mais uma crise de preços dos combustíveis, saltou de um salário de R$ 110 mil — que já era o triplo de seu vencimento como general da reserva — para uma impensável renda mensal, mesmo para um oficial militar de carreira e prestígio.

“Os caras têm de trabalhar! Têm de apresentar solução!” — protestou Bolsonaro, em fevereiro, quando já tinha em mente trocar Silva e Luna. Na ocasião, o presidente usou justamente os altos salários dos dirigentes da estatal como base de sua reclamação quanto à indiferença da empresa ante a dramática escalada de preços dos combustíveis, com impacto direto sobre a inflação.

A paridade internacional de preços adotada pela Petrobras foi fixada durante o governo de Michel Temer, pelo então presidente da empresa, Pedro Parente, escolhido para o cargo para tirar a estatal da crise pós-Lava Jato — missão que executou com sucesso, inclusive com a aprovação da Lei das Estatais, hoje questionada pelo comando do Centrão. O próprio Pedro Parente deixou o cargo no auge da crise dos caminhoneiros, motivada justamente pela alta no preço dos combustíveis. No ano passado, a Petrobras comemorou um lucro recorde: R$ 106,6 bilhões — um ganho superior a R$ 7,10 bilhões.

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