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Canetas emagrecedoras funcionam, mas resultado pode ser desastroso sem monitoramento

Sem proteína suficiente, treino e acompanhamento nutricional, o uso das canetas pode levar à perda de músculo, deficiências e efeito sanfona

Ciência para o Dia a Dia|Telma Faraldo

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • Canetas emagrecedoras, como semaglutida e liraglutida, controlam a fome e ajudam na perda de peso.
  • Sem acompanhamento nutricional e treino, o uso pode levar a deficiências, perda de músculos e efeito sanfona.
  • Importante incluir proteínas nas refeições e realizar treinos de força para proteger a massa muscular durante o tratamento.
  • Após a suspensão do uso, o acompanhamento nutricional é essencial para evitar reganho de peso.

Produzido pela Ri7a - a Inteligência Artificial do R7

O uso de canetas emagrecedoras requer supervisão e cuidado Imagem criada por IA

Os análogos de GLP-1, popularmente chamados de canetas emagrecedoras, são medicações que surgiram como tratamento promissor para diabetes e obesidade. Medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida são cada vez mais usados por aqueles que desejam emagrecer rapidamente.

Eles controlam a fome e retardam o esvaziamento do estômago, logo a pessoa come menos, emagrece, e vários marcadores metabólicos melhoram.


Isso é ótimo. Mas, sem um plano alimentar individualizado, o emagrecimento pode vir acompanhado de cansaço constante, deficiências nutricionais, perda de músculo, e maior risco de reganho de peso quando a medicação é suspensa.

Proteína: por que vira um ponto fraco

Como essas drogas reduzem muito o apetite, muita gente passa a comer pouco e pior, especialmente menos proteína. Estudos recentes mostraram que o uso das canetas pode levar a baixa ingestão proteica e pior qualidade da dieta, aumentando o risco de perda de massa muscular, se não houver ajuste nutricional (priorizar proteína em cada refeição e treinos de força).


Vitaminas e minerais: comer pouco leva à falta de nutrientes

A forte redução calórica, que costuma acontecer durante o tratamento com análogos de GLP-1, aumenta a chance de deficiência de vitaminas e minerais.

Em dietas muito baixas em energia é comum faltar ferro, cálcio, magnésio, zinco, vitamina D, B12 e folato, entre outros, especialmente se a pessoa também tiver náuseas, vômitos, evitar carnes/verduras ou “pular” refeições.


Diretrizes nutricionais para apoiar a terapia com GLP-1 reforçam esse ponto e orientam monitorar e suplementar quando necessário.

Massa magra: perder peso sem perder músculo

Emagrecer não deveria significar abrir mão do “motor” do metabolismo: os músculos. Estudos com avaliação por DEXA mostraram que, embora a maior parte do peso perdido com análogos de GLP-1 seja gordura, sempre há alguma perda de massa magra.


Revisões recentes estimam que cerca de 25% a 40% do peso perdido pode vir de massa livre de gordura, a depender da droga e principalmente da ingestão proteica e do treino de resistência ao longo do processo.

Um exemplo prático: se a pessoa eliminou 10 kg, até 4 kg podem ser de massa magra, se não proteger a massa muscular com proteína suficiente e musculação.

Recomenda-se que as perdas de massa magra sejam as menores possíveis. Isso se consegue com dieta e treino adequados durante o uso do medicamento. E após o tratamento?

Telma Faraldo é Nutricionista clínica funcional, pesquisadora e professora. Pós-graduada em Nutrição Funcional e doutora em Nutrição pela USP. Atua em consultório na área de saúde da mulher e doenças metabólicas.

O reganho de peso

Obesidade é uma condição crônica. Ensaios clínicos mostraram que, um ano após a interrupção do tratamento, participantes que não fizeram reeducação alimentar, recuperaram cerca de dois terços do peso que haviam perdido.

O acompanhamento nutricional e mudanças de estilo de vida reduzem muito esse efeito “sanfona”.

O que funciona na prática

• Meta de proteína diária: a proteína deve ser ingerida em todas as refeições (por ex. 1,0–1,5 g/kg/dia, ajustado pelo nutricionista).

Siga algumas dicas importantes

• Prato completo mesmo com pouca fome: inclua proteína + vegetais + fibras + boas gorduras (azeite de oliva, abacate, sementes) para obter vitaminas e minerais.

• Treino de força 2–4x/semana: para proteger a massa magra.

• Monitoramento laboratorial: ferro/ferritina, B12, vitamina D, cálcio, folato, entre outros — e suplementar quando indicado.

• Plano de manutenção: fazer acompanhamento nutricional e reeducação alimentar enquanto em uso da medicação (sono, manejo do estresse, exercício físico, escolha de alimentos mais saudáveis) para evitar reganho ao suspender a medicação. Análogos de GLP-1 funcionam, mas o como a pessoa perde peso importa. Com proteína suficiente, treino de força e acompanhamento nutricional, dá para perder mais gordura, menos músculo e manter o resultado quando o remédio sai de cena.

Leia mais sobre os trabalhos citados

Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, Davies M, Van Gaal LF, Lingvay I, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. New England Journal of Medicine. 18 de março de 2021;384(11):989–1002.

Wilding JPH, Batterham RL, Calanna S, Van Gaal LF, McGowan BM, Rosenstock J, et al. Impact of Semaglutide on Body Composition in Adults With Overweight or Obesity: Exploratory Analysis of the STEP 1 Study. J Endocr Soc. 3 de maio de 2021;5(Supplement_1):A16–7.

Christensen S, Robinson K, Thomas S, Williams DR. Dietary intake by patients taking GLP-1 and dual GIP/GLP-1 receptor agonists: A narrative review and discussion of research needs. Obesity Pillars. setembro de 2024;11:100121.

Johnson B, Milstead M, Thomas O, McGlasson T, Green L, Kreider R, et al. Investigating nutrient intake during use of glucagon-like peptide-1 receptor agonist: a cross-sectional study. Front Nutr. 25 de abril de 2025;12.

Mozaffarian D, Agarwal M, Aggarwal M, Alexander L, Apovian CM, Bindlish S, et al. Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory from the American College of Lifestyle Medicine, the American Society for Nutrition, the Obesity Medicine Association, and The Obesity Society. Am J Clin Nutr

Johnson B, Milstead M, Thomas O, McGlasson T, Green L, Kreider R, et al. Investigating nutrient intake during use of glucagon-like peptide-1 receptor agonist: a cross-sectional study. Front Nutr. 25 de abril de 2025;12.

Karakasis P, Patoulias D, Fragakis N, Mantzoros CS. Effect of glucagon-like peptide-1 receptor agonists and co-agonists on body composition: Systematic review and network meta-analysis. Metabolism. março de 2025;164:156113.

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