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Leilão na semana que vem vai definir controle da Eletropaulo

Italiana Enel e a brasileira Neoenergia disputam comando da distribuidora de energia paulista, cujo valor de mercado saltou de R$ 2,5 bi para R$ 6,7 bi

Economia em cinco minutos|Karla Dunder, do R7

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Leilão da Eletropaulo gera disputa entre empresas
Leilão da Eletropaulo gera disputa entre empresas

Está marcado para a próxima segunda-feira (4) o leilão para a venda de ações da Eletropaulo, distribuidora responsável por levar energia para São Paulo e outras 23 cidades da região metropolitana.

Nesta quarta-feira (30), as empresas interessadas, a italiana Enel e a brasileira Neoenergia, apresentam suas ofertas de preços. Os envelopes devem ser abertos após as 19h.


Depois de um confronto jurídico com liminares e recursos nas últimas semanas, o embate ficou resumido entre a estatal italiana e a empresa brasileira, cujo controle pertence à gigante espanhola Iberdrola.

Na prática, após o leilão, o comprador será líder do mercado. Isso porque tanto a Neoenergia como a Enel atuam no setor de geração de energia e podem ampliar a sua atuação. A Neoenergia tem concessões no interior de São Paulo (com a Elektro, que também opera no Mato Grosso do Sul), além de Bahia (Coelba), Rio Grande do Norte (Cosern) e Pernambuco (Celpe). A Enel opera no Rio de Janeiro, Ceará e Goiás (antiga Celg).


O que muda na vida do consumidor?

Nada. Tanto a qualidade do serviço prestado pela distribuidora de energia como o valor cobrado pela tarifa são regulamentados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).


"O consumidor não será afetado diretamente", avalia o presidente do Instituto Acende Brasil, Claudio Sales. "O que pode ser positivo é que hoje a Eletropaulo não tem um controlador definido e a empresa que vencer este leilão terá 50% mais uma ação. Além disso, ambas as concorrentes já têm empresas no setor o que facilitará a sinergia entre elas e uma gestão mais eficiente."

Entenda o caso


A AES comunicou intenção de vender sua fatia na Eletropaulo em fevereiro. No mês de março, a Energisa fez uma oferta de R$ 19,38 por ação da Eletropaulo. Após a oferta, a Enel e a Neoenergia também fizeram ofertas para comprar a participação da americana AES no negócio.

No dia 16 de abril, a Neoenergia e a Eletropaulo anunciaram um acordo de investimento no qual a distribuidora paulista receberia investimento direto de R$ 1,5 bilhão até o início de maio, mediante emissão de ações primária. A Neoenergia ainda faria uma oferta pública de ações para os demais acionistas interessados em vender suas participações, incluindo a americana AES, que quer se retirar da sociedade.

Um dia depois, em 17 de abril, a estatal italiana Enel fez uma oferta hostil — um tipo de oferta no mercado acionário para conquistar posição majoritaria e ter o controle da companhia — de compra das ações da Eletropaulo. A oferta foi coberta pela Neoenergia, ainda sob validade do acordo de investimento. 

A Eletropaulo anunciou no dia 25 de abril o cancelamento unilateral do acordo com a Neoenergia e a preferência pela decisão do controle acionário por meio de leilão, sob alegação de que deveria defender a valorização da empresa e os interesses dos acionistas. Com a disputa, as ações passaram de R$ 17 para R$ 32 e a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) teve que intervir no processo e agendou uma data para um leilão.

Diante dos valores agressivos, a Energisa retirou sua oferta inicial e saiu do processo.

Responsável pela definição das regras do leilão que se realiza na Bolsa de São Paulo, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) preservou ainda a possibilidade de uma proposta de terceiros, na primeira reunião que se realizaria no última quinta-feira (24). Desta forma, os novos interferentes teriam a vantagem de participar do leilão na segunda-feira (4) sabendo da proposta tanto dos italianos como da Neoenergia. Uma liminar solicitada pela empresa espanhola na Justiça derrubou este procedimento.

Nessa disputa, quem lucrou foi a Eletropaulo que viu o seu valor saltar de R$ 2,5 bilhões para R$ 6,7 bilhões no período.

O R7 procurou as distribuidoras envolvidas no negócio, mas elas preferiram não se pronunciar no momento.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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