Dores sem fim assinadas por mentes doentias

Doenças mentais, genéticas e/ou moldadas no ambiente humano, geram consternação quando ‘causam’ e precisam ser mais visibilizadas

Delegado afirmou que menor de idade não demonstrou arrependimento

Delegado afirmou que menor de idade não demonstrou arrependimento

Reprodução/ Record TV

Que o mundo sempre andou de cabeça para baixo não há dúvidas nas cabeças de cima quando olharmos a história humana na crosta terrestre. Já escrevi alguma vez sobre as inversões, distorções e demais ações que outrora e ainda hoje nós, Homens, criamos para justificar principalmente atrocidades contra os animais, o meio ambiente e, claro, contra o semelhante, com ou sem concorrência por território ou recursos naturais.

Em uma enorme quantidade de atitudes nocivas e ilicitudes que poderíamos listar para ilustrar essa imbecil característica humana de aniquilar – quem for ou o que for -, a mais irracional é o assassinato. Tirar a vida de uma pessoa à força, sem que a natureza do tempo decorrido cumpra sua função, é o ápice de um comportamento que se dá em variados e sombrios tons.

Se fizermos um recorte e analisarmos, por exemplo, o recente assassinato de uma jovem de 18 anos em Goiânia (GO) há cerca de um mês, encontraremos uma das marcas que acompanham nossa existência e que só depois de milênios a medicina decodificou e pôs-se a estudar e entender. Nesta escabrosa ocorrência, a adolescente foi convidada por amigos a um passeio e, pelo apurado até agora pela Polícia via investigação e interrogatórios dos suspeitos já presos, uma delas confessou que desejava saber se era uma psicopata. Para isso, escolheu a vítima aparentemente por conta dela ser uma mulher mais franzina e de menor porte, o que dificultaria uma reação e facilitaria as estocadas de faca até o desfecho fatal.

Psicopatia é um termo popular, genérico, que na medicina se conhece como Transtorno de Personalidade Antissocial e, segundo um médico psiquiatra com quem o blog conversou a respeito, o portador de TPA (doença devidamente catalogada no  Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ) não apresenta nem empatia nem sofrimento pela sua vítima, que na grande maioria dos casos não necessariamente acaba sem vida, pois servem ao agressor tão e somente apenas para que dela se obtenha algum benefício próprio.

O curioso é que, na toada popular, o psicopata parece se equivaler sempre a um assassino e isso não é uma verdade fechada. Há todo tipo de situação ou ocupação que um psicopata atua; desde um posto de serviço num emprego qualquer até políticos, parlamentares, autoridades diversas dos órgãos públicos. “Golpistas de pirâmides ou operações financeiras fraudulentas que costumam ostentar em redes sociais também são exemplos de psicopatas”, garante o profissional. ” Se forem para a cadeia, se tornarão líderes, orquestrarão rebeliões”, sustenta.

O psicopata, segundo a fonte, é um poço em si recheado de egocentrismo e, na sua escalada de atos, vai testando seus limites. Geralmente bem articulado e com alguma argúcia intelectual, seduz, influencia, manipula. Muitas vezes age por impulso e precisa livra-se do que o incomoda para conseguir atingir seu objetivo.

Quando um grupo de jovens ‘decide’ matar uma amiga para simplesmente ‘checar’ a existência ou não de uma anomalia, com certeza existe algum componente de TPA e, talvez, uma vaidade a posteriori a ser conferida nos ‘trend topics’ que a vida virtual e a massagem no ego ofertam. Mesmo as ‘big techs’ trabalhando 24 horas por dia derrubando vídeos e declarações/confissões de caráter violento e gratuito, não cessam os crimes auto postados.

Esse espaço de discussão que se abre em torno da morte ‘matada’ é enorme e muito rico para entendermos balizas, circunstâncias, meios, bloqueios e toda sorte de justificativas. Precisa, por certo, ser mais difundido.

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