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Eduardo Olimpio
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Normas e máquinas decidem nosso fim 

Seres de carne e cobre, nem tão ocultos assim, não nos esquecem, cortam nossa língua e, ‘desatentos’, podem ruir nossa pessoa física

Eduardo Olimpio|Do R7

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“Não é constitucional o direito ao esquecimento”, deliberou o Supremo Tribunal Federal há uns dias sobre a possibilidade de se retirar, dos meios de comunicação, material referente a um acontecimento com alguém cujo conteúdo lhe cause algum constrangimento, mesmo que o fato seja de comprovada veracidade. Liberdade de expressão e o direito às futuras gerações de se apropriarem do conhecimento histórico pautaram algumas decisões de ministros da Corte.

Pois bem, mais um capítulo segue sobre a ocupação, no espaço midiático, de temas relacionados aos direitos de cada um quando, passiva ou ativamente, se insere nesta embrenhada floresta digital baseada numa rede mundial de computadores.

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Só que a coisa não para por aqui. Também, recentemente, uma sequência de bloqueios de contas pessoais em redes sociais interrompeu a publicação de conteúdo de seus titulares. Isso deflagrou uma onda enorme de reações, tanto pró como contra, direcionadas aos mandatários das bigtechs globais de plataformas poderosíssimas de comunicação social como o Face e o Twitter, para ficarmos nestes dois exemplos. O ex-presidente norte americano e blogueiros, dentre anônimos e celebridades, foram alvos dessas operações de bloqueios, temporários ou definitivos.

Para piorar o cenário intrincado e hiperconectável que emoldura as relações interpessoais nas redes sociais e de poder que cada um pensa ter diante do imensurável aparato computacional - que enche os bolsos de poucos com muitos bilhões de dólares -, temos o vazamento de dados. Acontecido em etapas nas últimas semanas no nosso país, criou uma fobia natural na sociedade que, a partir de sua abrangência nunca antes experimentada, nos faz desligar o telefonema na cara da pessoa quando ela liga nos oferecendo um upgrade no pacote da assinatura de serviços de fonia fixo ou móvel.

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Não se trata de apenas recusar por recusar um eventual blá blá blá. O medo é generalizado e, exagerado ou não, faz sentido numa terra de pouca fiscalização, quase nenhuma impunidade e uma Autoridade Nacional de Proteção de Dados responsável pela privacidade e gestão de dados ainda devendo uma reação mais altiva e efetiva, principalmente quando sabemos de negociações, em dólar, de pacotes de dados com CPFs e toda uma cadeia de informações sensíveis vagando nas catacumbas da internet, providas por criminosos que compram e vendem informações pessoais para chantagens, violações e crimes contra patrimônio, sem estender muito aqui para não assustar mais os tiozinhos da web como este que tecla.

A discussão diante destas três esferas de relacionamento nas quais são tratadas, gravadas, apagadas, vazadas e bloqueadas as formas como trocamos figurinha com o mundo é sobre o quanto nossas vidas estão a mercê dos outros sem que saibamos direito quem nos assenhora. Dentro disso trafegam nossos direitos à comunicação, que são também manuseados ao sabor das ‘políticas de uso’ das ferramentas tecnológicas. Em paralelo a isso, o dever de instituições, públicas ou privadas, de resguardarem nossos mais preciosos dados que, em mãos criminosas, são usados para nos causar gigantescos prejuízos financeiros e dissabores a serem geridos por tempo indeterminado.

E porque, diante disso tudo, continuamos teclando? Fácil de responder quando se trata de um animal social como o ser humano. Difícil mesmo é olhar o quanto somos zeros e uns dentro de uma engrenagem que só cresce, se automatiza e se multiplica quase que por si mesma, não adoece como a gente mas seu ‘DNA’ está tresloucado, trabalha o tempo todo, consome terawatts em meio ao silício para se manter e sobrevive em ‘forma’ de ‘nuvem’, esplêndida e impenetrável.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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